Ribeirão Preto (SP), 1 (AE) - O aumento do preço do álcool combustível após a criação de Bolsa Brasileira de álcool (BBA) deverá provocar uma elevação entre 70% e 75% no preço do litro cobrado do consumidor, segundo estimativa do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro) e Conselho Regional de Economia (Corecon).
Segundo o presidente local do Sincopetro em Ribeirão Preto, Valter Basso, o aumento esperado deverá chegar às bombas de combustíveis já a partir de uma ou duas semanas no máximo. O aumento, lembra ele, também deverá elevar o preço médio da gasolina, já que existem 24% de álcool adicionados à gasolina.
Para o delegado regional do Corecon, Afonso Reis Duarte, o aumento para o consumidor só deve chegar por volta do mês de julho ou agosto. "Existe uma demanda reprimida, principalmente por conta dos elevados estoques de álcool que ainda estão nos tanques dos postos. Com o aumento, a maior parte das revendas deverá segurar ao máximo o momento de novas compras", acredita.
Em sua opinião, o preço do álcool combustível deverá chegar a R$ 0,60 o litro. Pesquisa mensal divulgada pelo Corecon sobre os preços dos combustíveis nos postos locais indica que o álcool vem sendo vendido em média por R$ 0,33 à vista e R$ 0,53 a prazo. Os preços, segundo o Corecon, tiveram uma queda em relação aos valores cobrados no mês anterior de 6,5%.
Denúncia - A Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto recebeu a denúncia de uma compra irregular de álcool combustível por parte da prefeitura no último dia 21 de maio. Segundo a denúncia, que foi levada ao Centro de Estudos e Pesquisas da Administração Municipal (Cepam), a prefeitura teria adquirido por meio de licitação pública um lote de 400 mil litros de álcool por preço 37% acima do oferecido.
O litro, que custou R$ 0,37, foi adquirido pela prefeitura da Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga , escolhida no processo licitatório. Segundo o Corecon, no mesmo período o preço médio do combustível na cidade era de R$ 0,27. A diferença custou para os cofres públicos R$ 40 mil.
Segundo o secretário da Administração, Armando Scozzafave, a "realidade do mercado", quando o contrato foi fechado, era "outra". "As empresas estão fazendo promoções para liquidar o estoque e o próprio Corecon demonstra que o preço vem caindo nos últimos meses", se defendeu o secretário.
O gerente de vendas da Ipiranga em Ribeirão Preto, Roberto Mourão, disse que o contrato licitatório foi correto. "O preço de mercado é esse", disse.
Ele explicou que os postos Ipiranga em Ribeirão cobram menos do que o preço oferecido para a Prefeitura por causa da concorrência desleal de mercado. "Outros postos que sonegam impostos e têm menos custos do que os grandes conseguem oferecer preços menores e por isso somos obrigados a baixar preços e fazer promoções para garantir a clientela", explicou.
A compra deverá ser analisada pelo Cepam a pedido dos vereadores da oposição à administração de Luiz Roberto Jábali (PSDB).

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