Curitiba - O Sindicato Nacional dos Produtores Rurais (Sinapro) protocolou, ontem, no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, pedidos de prisão contra o governador Roberto Requião (PMDB), por conta do não cumprimento dos mandados de reintegração de posse de fazendas invadidas no Estado, e contra os comandantes da Polícia Militar, coronel David Antônio Pancotti (comando-geral), Antônio Amauri Ferreira de Lima, do Policiamento do Interior, e do major Antônio Aurélio da Conceição, do comando do 10º Batalhão de Ivaiporã. A entidade pediu, ainda, a intervenção do governo federal no Paraná.
Os pedidos de prisão e de intervenção baseiam-se no descumprimento da reintegração de posse da Fazenda Três Marias, em Manoel Ribas (146 quilômetros ao sul de Apucarana). Segundo o Sinapro, a propriedade se tornou um marco na história da reforma agrária, pois obteve 130% de produtividade, certificado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
''O governador Roberto Requião esqueceu-se que ordem de juiz é para ser cumprida e não discutida, nem adiada'', declarou o presidente do Sinapro, Narciso da Rocha Claro, em entrevista coletiva na tarde de ontem. Ele não descartou a possibilidade de um confronto dos produtores rurais com os invasores. ''Estamos tentando evitar que o pior aconteça, mas se nenhuma das medidas jurídicas resultar no objetivo concreto, que é a reintegração, os proprietários irão retirar os invasores'', advertiu.
Segundo levantamento do Sinapro, o Paraná tem um total de 67 fazendas invadidas (considerando a Fazenda Laranjeiras, em Rio Bonito do Iguaçu). Vinte e sete delas teriam ordens de reintegração de posse emitidas pela Justiça. Esses números colocariam o Paraná em terceiro lugar entre os estados que mais têm áreas rurais ocupadas por sem-terra. O Nordeste (Zona da Mata, em Pernambuco, e o sul do Pará) e o norte de Minas Gerais ocupariam as primeiras posições, de acordo com o Sinapro.
As medidas judiciais, segundo Claro, fazem parte da operação ''Tolerância Zero contra as Invasões'' lançada pelo Sinapro há cerca de um mês. O sindicalista disse que estão sendo estudadas ações que poderão ser tomadas para que a responsabilidade pelos ''crimes contra a reforma agrária'' seja estendida ao governo federal.

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