São Paulo, 23 (AE) - Os consumidores deverão pagar cerca de 12% a mais pela gasolina a partir de sexta-feira, e não 10% como previu o governo, segundo cálculos do presidente do Sindicato dos Postos de Combustíveis de São Paulo, que reúne 2,1 mil estabelecimentos na cidade de São Paulo, Paschoal Cattucci. Somente este ano, de acordo com cálculo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo, houve quatro aumentos, num total acumulado de 48,9%. Para o consumidor
se a previsão do governo estiver certa, o acumulado chegará a 28,7%.
Também o gás de cozinha deverá ter variação um pouco maior do que a estimativa oficial, segundo informou o diretor do sindicato das empresas do setor, o Sindigás, Miguel Mironiuc. "Nossa estimativa é de reajuste entre 11% e 12%, o que significa que o botijão de 13 quilos passará a custar de R$ 1,00 a R$ 1,20 a mais do que hoje", disse.
Assim, quem comprar o botijão diretamente da distribuidora deverá pagar cerca de R$ 12,00 pelo produto, a partir de sexta-feira. Nos caminhões, o preço deverá ser de cerca de R$ 15,00. Os valores podem sofrer oscilação porque estão liberados. No caso dos combustíveis, é mais difícil calcular o novo preço do litro da gasolina, por causa da forte concorrência entre postos. Certamente, na maioria deles, ultrapassará R$ 1,00. Apenas grandes redes, com grande capacidade competitiva, poderão conter um pouco os aumentos, segundo Cattucci, mas dificilmente ficarão abaixo dos 11%.
Cattucci considerou muito problemático o novo reajuste anunciado pelo governo, de 18% nas distribuidoras. "Desta vez, salvo em casos raros de grandes redes, os postos não têm condições de absorver uma parte dos reajustes, pois estão com a rentabilidade muito baixa", afirmou.
Para ele, o ganho desejável para manter a saúde financeira das empresas seria de R$ 0,14 por litro de gasolina vendido. "Depois de tantos aumentos, dos quais sempre absorvemos uma parte, nossa rentabilidade caiu para R$ 0,07 por litro e não pode baixar mais." O empresário também está preocupado com a inevitável queda de consumo de combustíveis, já que o aumento chegou junto com outros reajustes violentos de tarifas. "As famílias não tem como acomodar tanto aumento de despesas nos seus orçamentos", disse. "Vamos ter queda nas vendas, o que agrava a situação da nossa rentabilidade."

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