Sindicato diz que Vasp não poderia levar dinheiro
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sexta-feira, 18 de agosto de 2000
Michele Muller e Dimitri do Valle De Curitiba 
O Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana (Seesvc) acusa a Vasp de ter transportado irregularmente o dinheiro roubado durante o sequestro do Boeing 737-200, na quarta-feira, após deixar o Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu em direção a Curitiba. O presidente do sindicato, João Soares, argumenta que existe uma portaria do Ministério da Justiça (nº 922, de 1995) proibindo que esse tipo de transporte seja feito juntamente com passageiros. O sindicato irá fazer a denúncia formal na próxima segunda-feira junto à Policia Federal, responsável pela fiscalização de empresas aéreas.
A empresa também estaria infringindo o artigo 67 da mesma portaria, que exige que dois vigilantes identificados com crachá ou uniformizados, acompanhem o trajeto aéreo quando o dinheiro estiver sendo transportado. A Vasp agiu de forma irresponsável e inconsequente, colocando em risco os passageiros, disse Soares. Segundo ele, a empresa de transportes de valores TGV, de Curitiba, foi conivente com a irregularidade, pois está consciente da existência da lei.
O delegado titular do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Luiz Alberto Cartaxo Moura, disse que a Vasp era a única empresa do País a fazer o transporte aéreo no País. Para ele, o método é arriscado com tantos civis a bordo. Se houver necessidade de levar malotes bancários por avião, Moura sugere que a empresa frete uma aeronave somente para este fim. Aí o risco seria calculado só para a tripulação, diz.
Moura lembra ainda que os R$ 5 milhões roubados pela quadrilha representaram um adicional de peso para a aeronave. Juntas, as notas formavam uma carga de 240 quilos. O delegado declara que o sequestro só não terminou em tragédia por milagre. A bala que foi disparada dentro do avião atingiu um porta-bagagem. Se o projétil se alojasse em uma janela ou na fuselagem, o avião sofreria uma despressurização e poderia ter explodido, explica Moura.
A assessoria de imprensa da Vasp informou que a companhia agiu de forma legal, pois a portaria do Ministério da Justiça foi invalidada por duas circulares mais recentes, emitidas pelo Departamento de Aviação Civil (DAC). As circulares teriam sido emitidas no ano passado, permitindo que o numerário seja transportado junto com passageiros. Quanto à ausência de vigilantes no vôo, a assessoria argumentou que não poderia responder.


