Sindicato diz que acidente é resultado da falta de manutenção e de investimentos
São Paulo, 18 (AE) - O Sindicato dos Metroviários suspeita que o acidente de hoje seja decorrente da falta de manutenção e investimentos no sistema. "Nós não temos reposição de peças, faltam discos de freio e as pastilhas estão gastas", acusou o presidente do sindicato, Onofre Gonçalves de Jesus. "Vamos pedir uma investigação, mas é improvável que o disco tenha se soltado; é bem mais certo que o equipamento estivesse danificado".
A Companhia do Metropolitano rebate as críticas, mas admite a gravidade do fato. "Foi grave e poderia ter sido pior, pois estávamos no fim do horário de pico e havia poucos passageiros", afirmou o diretor de Operação do Metrô, Paulo Celso Mano Moreira da Silva, que não soube explicar por que o disco se soltou. "Pode ser falha humana, problemas no parafuso ou até no próprio disco, menos falta de manutenção".
Segundo Moreira da Silva, o disco do freio em questão foi trocado há 30 dias. "São necessários 50 meses para a peça desgastar". Ele explicou que cada trem roda 300 quilômetros por mês e os discos duram de 10 mil a 15 mil quilômetros rodados. "Estamos estudando o caso para evitar desastres como o de hoje", garantiu. Antes desse acidente, houve alguns descarrilamentos no metrô, mas sempre em horários não comerciais.
Para os sindicalistas, as promessas de investigação não bastam. Eles têm denunciado com frequência a falta de investimentos no sistema, que reflete diretamente no passageiro. "Faz pelo menos sete anos que não há investimento; temos de passar peças de um trem para o outro e quem sofre é o passageiro". Usuários - Os passageiros garantem sentir na pele a crise operacional do metrô. Os atrasos sucessivos no trabalho e as paradas intermináveis em trens lotados são as principais reclamações. Isso sem falar na violência, que nos últimos anos virou motivo de preocupação para passageiros que antes se consideravam protegidos nas estações. "O metrô teve uma queda grande; estou sempre preso no subsolo, esperando o trem andar", queixou-se hoje Vandré Santos da Silva, de 25 anos. "O caso de hoje foi o ápice do descalabro das autoridades", esbravejou ele
que mora na zona norte e trabalha no Jabaquara, na sul. (Gabriela Carelli)





