O presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários de Bens da Baixada Santista e Vale do Paraíba (Sindicam), Heraldo Andrade, que representa 5 mil caminhoneiros, afirmou ontem que o sistema de vale-pedágio não está funcionando direito na Baixada Santista. Segundo ele, nem todas as transportadoras da região estão cumprindo a medida provisória que instituiu o vale-pedágio e arcando com a despesa, no lugar do caminhoneiro. ‘‘O sindicato está preparando um relatório ao Ministério da Justiça denunciando a situação’’, informou. Andrade disse que a categoria não sabe quem vai fiscalizar o cumprimento da medida. ‘‘Está uma confusão’’.
De acordo com o sindicalista, é o mercado que regula o frete, e a concorrência entre os caminhoneiros é grande. ‘‘Por isso as transportadoras aproveitam: ou elas pagam o pedágio e oferecem um frete menor ou elas simplesmente não pagam a tarifa’’, queixa-se Andrade.
De acordo com ele, em abril o caminhoneiro recebia um frete de R$ 500 para ir de Santos a Campinas. ‘‘Hoje, existem transportadoras que estão oferecendo R$ 400 por essa viagem, sem o pedágio’’, declarou. O resultado, diz ele, é que os ganhos para o motorista continuam baixos.
Andrade afirma que é difícil para o transportador provar que a empresa de agenciamento de frete não está pagando o vale-pedágio. ‘‘Não é possível aceitar denúncia vazia ou anônima, por isso estamos pedindo aos motoristas que peçam a discriminação do vale no conhecimento rodoviário (documento utilizado na atividade)’’, afirmou. A multa para a empresa que descumprir a medida pode chegar a até R$ 10,6 mil por infração.
O Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan) informou, através de sua assessoria de Imprensa, que não registrou nenhum caso de empresas que descumpriram a medida provisória do vale-pedágio.
O Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) divulgou nota sobre o pagamento de pedágio pelos caminhoneiros nas cinco rodovias federais. ‘‘Não houve problemas’’, afirma.

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