Sindicato denuncia e Unicamp confirma uso de verba do SUS em salários
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de julho de 1999
Por Milton Bridi 
Campinas, SP, 22 (AE) - O reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Hermano Tavares, admitiu hoje que não utiliza a verba recebida do Sistema Único de Saúde (SUS) exclusivamente no atendimento de pacientes no complexo hospitar da universidade. A denúncia de desvio de recursos foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores da Universidade. Cerca de 16% , informou Tavares, vão para complemento salarial e aperfeiçoamento dos cerca de 386 médicos dos cinco centros de atendimento da Unicamp, entre eles o Hospital de Clínicas.
O sindicato entregou relatório nesta semana à Procuradoria Regional da República afirmando que apenas R$ 35 milhões dos R$ 65 milhões repassados pelo SUS no ano passado foram utilizados no atendimento de pacientes. O Ministério da Saúde e a Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa de São Paulo vão investigar se houve irregularidades.
O reitor informou em 1998 foram gastos no setor de saúde cerca de R$ 160 milhões. Tavares disse ter recebido R$ 65 milhões do SUS de uma fatura de R$ 72 milhões. Ele negou ter reduzido despesas no setor de atendimento, apesar de o complexo hospitalar estar registrando déficit mensal de aproximadamente R$ 700 mil. "Zeramos o saldo devedor com vários cortes de despesas, mas nenhum atingiu o atendimento aos pacientes", disse.
O vice-diretor da Faculdade de Ciências Médicas, Rogério Antunes Pereira Filho, afirmou estar "convencido da legalidade" do uso da verba, pois o convênio assinado pela universidade e a Secretaria Estadual de Saúde prevê a utilização de recursos para outras finalidades que visam melhorar o atendimento aos pacientes. "Agora, por exemplo, vamos usar parte do dinheiro para ampliar o nosso laboratório", disse Pereira Filho.
O relatório do sindicato denuncia ainda que houve uma redução de 72 leitos do complexo hospitalar, o que representa cerca de 15% do total. O documento indica que as despesas com a complementação salarial dos docentes não foi alterada, apesar do corte.


