O impasse na decisão sobre o acordo consiste na tentativa de extinção, por parte dos empresários, da estabilidade dos cobradores acertado em dezembro de 2017
O impasse na decisão sobre o acordo consiste na tentativa de extinção, por parte dos empresários, da estabilidade dos cobradores acertado em dezembro de 2017 | Foto: Gustavo Carneiro


O Sinttrol (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Londrina) aprovou a manutenção do estado de greve - mas ela ficaria suspensa. Ou seja, a categoria mantém o indicativo de paralisação aprovado, mas continua circulando até que uma nova decisão seja feita. A categoria rejeitou o acordo oferecido pelo Metrolon (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros Metropolitano de Londrina). Os empresários já haviam recusado a proposta dos trabalhadores. O impasse consiste na tentativa de extinção, por parte dos empresários, da estabilidade dos cobradores, acordado em dezembro de 2017. Os sindicatos acordaram quanto à necessidade de cobradores na totalidade das linhas da cidade, desde que os empregados mantivessem os empregos por, no mínimo, 36 meses. "Com a manutenção deste termo, não temos condição de aceitar o acordo. Na nova lei trabalhista, o negociado tem poder sobre o legislado, então não temos interesse em abrir mão de direitos já adquiridos. Precisamos continuar negociando", afirmou o presidente do Sinttrol, João Batista da Silva.

Outro tema de discordância da categoria foi a imposição do acordo de que os instrumentos coletivos propostos fossem válidos até 31 de janeiro de 2019, ou seja, uma nova rodada de negociações para as necessidades dos motoristas e cobradores precisaria acontecer no próximo ano. Apesar da divergência, o acordo oferecido não foi recusado em sua totalidade. O sindicato dos trabalhadores demonstrou interesse em aceitar a proposta de reajuste de 4% - que poderia ser pago como abono em janeiro, mas a ideia é que fosse incorporado ao salário já em fevereiro. A categoria havia pedido 4% da inflação e 2% de aumento real, totalizando 6% de reajuste. "Há quinze anos estamos negociando e fazendo concessões aos pedidos do poder público e das empresas, em prol da manutenção do sistema. Um exemplo foi quando abrimos mão de que os anuênios deixassem de ser pagos mensalmente para serem substituídos pelo PPR (Programa de Participação de Resultados), pagos semestralmente e que não incidem no salário e nos benefícios", explicou Silva.

A discordância entre empresários das empresas de ônibus e os trabalhadores do setor é mais um capítulo no tumultuado enredo que cerca o transporte público de Londrina em meio à licitação anunciada pela prefeitura em agosto. A TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina), que havia formalizado o interesse em renovar a concessão, anunciou no dia 30 de novembro que não participará da Concorrência Pública que irá licitar o serviço de transporte coletivo para os próximos quinze anos. Com isso, ela encerraria suas atividades a partir do dia 19 de janeiro de 2019, quando acaba o contrato. A decisão foi tomada depois de uma sequência de ações do prefeito Marcelo Belinati que causaram revolta na empresa. Entre elas, decretar a passagem no valor R$ 3,95. Um cálculo que havia sido feito pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina) apontava que o valor deveria ser de R$ 4,15. Belinati ainda cancelou subsídio pago na passagem dos estudantes e reduziu uma cláusula do contrato atual que prevê taxa de lucro das empresas.

Com a decisão do Sinttrol em não fechar acordo, a CMTU não terá tempo hábil para calcular a previsão do valor da passagem para janeiro, previsto para ser anunciado na próxima quinta-feira, dia 20. Uma nova reunião com Metrolon já foi marcada para quarta-feira, dia 19, mas o órgão da prefeitura só conseguirá calcular o novo preço em até três dias úteis, adiando para depois do Natal o anúncio. A informação é de suma importância, já que só então as empresas terão conhecimento do cálculo que a prefeitura faz de forma detalhada e qual deverá ser o aumento previsto. A licitação que está em curso tem como tarifa anunciada a que atualmente é cobrada. "Esta é uma briga de gigantes. Não podemos ficar no meio e sair espremidos. Precisamos lutar pelos nossos direitos", disse João Batista da Silva, aos presentes na terceira e última assembleia do sindicato, realizada na noite de segunda-feira (17), na sede da instituição, no Centro da cidade.

No meio da disputa travada entre a prefeitura e a TCGL, muitos boatos circulam pela cidade, o que causa apreensão por parte dos 1.660 funcionários da empresa. Segundo o sindicalista, eles deverão receber o aviso prévio no próximo dia 26. Quando anunciou que não participaria da licitação, o diretor geral da empresa, Gildalmo de Mendonça, afirmou que estaria aberto a reavaliar uma nova proposta, seja para licitação ou renovação. Já o prefeito afirmou, em 3 de dezembro: "Eu garanto que a cidade não vai ficar sem o transporte coletivo. Espero uma boa disputa na concorrência que abrimos". Oficialmente não há informação sobre interessados. Caso não apareça nenhuma empresa, a licitação é considerada "deserta" e a própria TCGL poderá continuar a manter o serviço. Mas para isso informou que irá negociar uma nova tarifa. A empresa diz que o valor justo seria o de R$ 4,60.

Cerca de 160 mil pessoas usam o transporte público diariamente na cidade, divididos em 400 ônibus que circulam no município. São 1,9 mil funcionários das duas empresas que administram o serviço na cidade - além da TCGL, com 337 ônibus, correspondentes a 85% do transporte da cidade, ainda circulam na cidade os ônibus da LondriSul. Os trâmites legais sobre os contratos de licitação serão concluídos antes que a cidade tenha o seu Plano Municipal de Mobilidade Urbana, uma exigência do Ministério das Cidades desde 2012. A promessa da prefeitura é que a parte do texto, especificamente a que trata do transporte, fique pronta no início no ano que vem.

mockup