Belo Horizonte, 27 (AE) - O presidente do Sindicato da União Brasileira dos Caminhoneiros e Afins, José Natan Emídeo Neto, declarou hoje deflagrada uma greve nacional da categoria, que estava marcada inicialmente pela entidade para o dia 1º de setembro. Natan divulgou um comunicado à imprensa, justificando a opção pela paralisação. Segundo o sindicalista, que no dia 16 foi recebido em audiência em Brasília pelo ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, "o movimento, desta vez, será pacífico e, ao contrário do que houve no final de julho, não haverá bloqueios de estradas".
"Vamos ficar com as carretas estacionadas em postos espalhados por todos os estados, em uma espécie de jejum nacional, e é importante que a população evite os excessos de consumo, por causa dos riscos de desabastecimento", acrescentou.
Natan, que distribuiu, este mês, mais de 30 mil panfletos convocando os caminhoneiros para a paralisação, frisou que a "liberação dos companheiros para parar" foi decidida após as 15 horas de hoje. "Na conversa que tivemos com o ministro Padilha, quando apresentamos nossa pauta de reivindicações, ficou acertado que ele iria nos dar uma resposta até as três da tarde de hoje, e isso não aocnteceu", explicou.
Entre as reivindicações, estavam a elevação de 100% no preço do frete, a regularização da aposentadoria dos caminhoneiros, o cancelamento de multas aplicadas em São Paulo, por causa de fumaça, e a construção de locais "decentes" para a estadia dos caminhoneiros.
Natan informou ainda que, até o final da tarde, o sindicato - que diverge do posiconamento da União Brasil Caminhoneiro, liderada por Nélio Botelho, na condução das negociações com o governo federal - já havia recebido dezenas de telefonemas de diversas partes do Brasil, com relatos sobre a greve. "Estamos recebendo informes de companheiros de Minas, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Bahia, entre outros", afirmou.
O sindicato marcou para o próximo dia 3, no estacionamento do estádio Mineirão, em Belo Horizonte, uma reunião de avaliação da greve. "Caminhoneiros do Brasil inteiro estão convidados para discutirmos o desabastecimento e a garantia de 30% dos serviços essenciais", afirmou.

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