São Paulo, 25 (AE) - A participação de agentes da PF na Marcha dos Cem Mil foi anunciada hoje pelo presidente da Federação Nacional dos Sindicatos dos Policiais Federais, Jorge Venerando. "A manifestação é uma coisa positiva e justa porque cobra do presidente Fernando Henrique uma revisão imediata de sua política econômica e defende a abertura de uma CPI para investigar a privatização do Sistema Telebrás", disse.
Filiado ao PT há dois anos ("fui convidado pelo companheiro José Dirceu" - presidente nacional do partido), Venerando dirige uma entidade com 12 mil associados, entre policiais ativos e inativos. Ele ingressou na corporação há 19 anos, como agente. A federação é a mais forte central de federais do País - abriga 26 sindicatos, seis deles filiados à CUT (Alagoas, Distrito Federal, Espírito Santo, Bahia, Rio Grande do Norte e Rondônia).
Venerando diz que vai à marcha "como cidadão". "Vou estar no meio da massa", avisa. Ele não sabe quantos colegas o acompanharão à Esplanada dos Ministérios mas tem certeza que não vai sozinho: "Não serei o único, muitos companheiros federais irão me acompanhar porque fazemos parte de uma geração que não aceita a mordaça". O sindicalista conta que já "tomou porrada da polícia" nos tempos de estudante na Paraíba.
Assumiu a presidência da federação, pela primeira vez, em agosto de 1994. Em junho de 1997, foi reconduzido ao cargo por decisão de todos os membros dos conselhos representantes nos Estados. No ano passado, ele engrossou a multidão de 50 mil sem-terra que realizaram protesto em Brasília. "Democracia é isso", declara.
A sindicalização da PF, segundo Venerando: "Nós precisávamos mudar, não podíamos mais ser instrumento de governos equivocados e adquirimos consciência de classe e de luta". O agente sofreu inúmeras sindicâncias internas, por ordem da direção-geral da PF. "Queriam a minha demissão mas não conseguiram". Sobre a marcha, ele afirma: "Não queremos a renúncia de ninguém, o presidente Fernando Henrique tem que terminar o seu mandato".

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