Emerson Cervi
De Curitiba
Para os transportadores de cargas do Paraná pouco importa se o Ministério dos Transportes vai retomar as rodovias federais do Estado. Ontem, representantes do Sindicato dos Transportadores Autônomos (Sindicam) e da Federação dos Transportadores do Paraná (Fetranspar) falaram sobre a sugestão da Subcomissão de Pedágio da Câmara Federal para que a União encampe o processo de privatização das BRs no Paraná e Rio Grande do Sul. O que eles pedem é uma solução para o impasse do pedágio.
Em um dos itens do relatório da subcomissão, aprovado em dezembro, consta que ‘‘o Poder Executivo Federal tem sido omisso quanto ao desenvolvimento e fiscalização dos programas de concessão das rodovias delegadas, especialmente nos Estados do Paraná e Rio Grande do Sul. A alternativa que se coloca face ao desmantelamento desses programas é a denúncia dos convênios firmados, com a consequente retomada, pela União, do controle direto de tais rodovias.’’
Para Diumar Cunha Bueno, presidente do Sindicam, ‘‘O que precisamos é de uma solução rápida para o impasse sobre as tarifas’’, e completa: ‘‘Nos Estados em que a concessão é da União, as tarifas também são altas e as melhorias não atendem as expectativas dos usuários.’’
Já o tesoureiro da Fetranspar, Ademar Correia Silva Barbosa, diz que desde o início, o valor do pedágio no Estado foi superestimado. ‘‘Cerca de 70% da economia do Estado é baseada na agricultura e o transporte de produtos primários não agrega valores para cobrir os altos custos de pedágio.’’
Segundo Barbosa, a encampação do Anel de Integração pelo Ministério dos Transportes poderia trazer benefícios aos usuários se fossem adotados os novos critérios para os programas de privatização de rodovias. ‘‘As novas licitações de rodovias pelo governo federal, inclusive a BR-116 (São Paulo/Paraná) e BR-101 (Santa Catarina), já estão sendo feitas pelo sistema revisto.’’ Para ele, o ideal seria o poder público pagar pela manutenção das rodovias e os postos de pedágio servirem apenas para o acompanhamento do tráfego. ‘‘Nós preferimos pagar o dobro de IPVA para ser investido em obras do que pagar pedágio’’, opina.
A reportagem da Folha procurou representantes do governo do Estado, da Secretaria de Estado dos Transportes e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), para falar sobre a sugestão de denúncia dos contrados, mas ninguém que pudesse falar a respeito do assunto foi encontrado.

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