Paris, 01 (AE) - Os mesmos argumentos que serviram aos dirigentes do futebol e do tênis internacional para obrigar as emissoras de televisão a pagar taxas cada vez mais elevadas para a transmissão de seus espetáculos agora estão sendo utilizados pelos sindicatos da moda, principalmente os que reúnem top models.
O polêmico estilista Jean-Paul Gaultier chegou, hoje (01), a ameaçar cobrir o rosto de seus modelos com um véu preto durante o desfile na Sala Wagram, mas felizmente um acordo foi concluído na última hora. Por enquanto, as emissoras de televisão que operam em Paris, conhecida como a capital mundial da moda, estão respondendo com um sonoro não, mas isso não deverá durar muito tempo. Se um acordo amigável não for obtido, o Sindicato das Agências de Modelos (SAM) da França admite até decretar uma greve.
Hoje, na Europa, os desfiles são um espetáculo montado gratuitamente para a televisão, e cuja produção é paga pelas grandes casas e pelos principais estilistas. A conquista da audiência tem sido progressiva, principalmente quando se trata de desfiles como os de Saint-Laurent, Dior e Gaultier, apresentando a primeira linha de top models - por exemplo, Naomi Campbell, Claudia Schiffer e a brasileira Gisele Bundchen, cujo cachê por desfile é da ordem de US$ 8 mil.
A parte mais substancial do faturamento das top models, entretanto, não são os desfiles, mas sim as campanhas publicitárias que lideram, como é o caso do anúncio do automóvel Citro$n Xsara com Claudia Schiffer. Mas, para chegar lá, elas dependem da divulgação das emissoras de televisão, afirma Mari Christiane Marek, a responsável pelo principal programa diário sobre moda na França, no canal Paris Premire. Ela ameaça cortar a cabeça dos modelos, fazendo com que as câmeras se fixem unicamente nas roupas. Mari corre um sério risco de enganar-se, diante da grande atração exercida pelos modelos.
Mesmo os estilistas mais modestos contratam modelos pelo chamado "salário mínimo" da moda, US$ 200 por manequim. É o caso de Tilman Grawe, um jovem alemão em franca decolagem que terá seu desfile de amanhã gravado em vídeo. O costureiro tem o direito de divulgá-lo, via televisão ou distribuição para uma lista de clientes, sem pagar por isso às "artistas". O sindicato não parece conformar-se com esses argumentos e insiste na sua iniciativa.
Consciente de que essa polêmica não interessa a ninguém na França, a Federação de Alta Costura do país decidiu negociar rapidamente e prometeu achar uma solução que permita um acordo a vigorar já na próxima temporada de desfiles, no mês de junho. O SAM aceitou essa proposta e decidiu não tomar medidas mais rigorosas para os desfiles da coleção outono-inverno 2000-2001. Dessa forma, espera-se que possa ser evitada uma crise importante no mundo da moda.

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