Sindicato alerta para risco de desabastecimento de carne em SP
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terça-feira, 04 de janeiro de 2000
por Antônio José do Carmo 
Araçatuba, 4 (AE)- O presidente do Sindicato da Carne do Estado de São Paulo, Edivar Queiroz disse hoje que o Ministério da Agricultura precisa mudar urgentemente a portaria que proibiu o transporte de carne de gado com osso para o Estado de São Paulo, antes que haja uma instabilidade no abastecimento ao consumidor. Segundo Queiroz é preciso autorizar a transferência de carne com osso dos frigoríficos do Mato Grosso do Sul para as indústrias de São Paulo, antes que o mercado se acomode de outras formas.Entre elas está o aumento de preços e a burla fiscal.
Hoje na praça de Araçatuba, a arroba foi cotada no mesmo valor da semana anterior- R$ 41,00-, mas segundo o pecuarista e comerciante de gado Francisco Salles, as ofertas foram muito reduzidas. Em Campo Grande, no mato Grosso do Sul aconteceu o contrário. A arroba que chegou a ser cotada R$ 39,00 antes da portaria ministerial, caiu ontem para R$ 35,00 e trouxe muita preocupação no setor.
O Mato Grosso do Sul é hoje dono do maior rebanho de gado de corte do País, com mais de 22 milhões de cabeças. No entanto, a exclusão daquele estado do Circuito Centro-Oeste de Gado de Corte que já conquistou o título de área livre da aftosa com vacinação, entre eles o estado de São Paulo, está provocando uma "inquietação na cadeia produtiva da carne", conforme o sindicalista Edivar Queiroz.
A portaria do Ministério da Agricultura que passou a vigorar desde o dia primeiro de janeiro, determina que a carne do gado abatido no Mato Grosso do Sul só entra em São Paulo depois de desossada. No entanto, metade dos frigoríficos daquele estado não possuem equipamentos nem pessoal treinado para realizar essa operação. Daí a sugestão dos industriais paulistas
para que a portaria seja corrigida autorizando que os frigoríficos paulistas credenciados pelo Serviço de Inspeção Federal, possam receber carne dos frigoríficos do Mato Grosso do Sul que também possuem o mesmo credenciamento de fiscalização.
Para Cláudio Cereira, diretor de uma rede de frigoríficos no Mato Grosso, Rondônia e São Paulo essa seria a solução mais eficiente já que os frigoríficos estariam tecnicamente protegidos, mediante procedimentos de destruição dos ossos. Essas providências, segundo ele são capazes de garantir a imunidade da carne ao virus da aftosa.


