O Sindicato dos Servidores Estaduais da Saúde (Sindsaúde) contestou ontem os números apresentados pelo governo paranaense sobre a epidemia de cólera em Paranaguá. Citando fontes da própria secretaria, a presidente do Sindsaúde, Mari Elaine Rodella, disse que o contingente de pessoas contaminadas chega a 307 e não 223 como foi informado ontem. Cerca de 10% dos casos, segundo a sindicalista, são considerados graves e podem levar à morte.
As pessoas com quadro clínico suspeito também poderiam elevar as estatísticas sobre o avanço da epidemia.‘‘Estima-se que mais de 700 pessoas já estejam contaminadas pelo vibrião colérico’’, revelou Mari Rodella. Ela acusou o governo de ‘‘camuflar a situação’’ e disse que a doença poderá se alastrar depois do feriado de Páscoa. A presidente do Sindsaúde responsabilizou o governo do Estado por não conseguir controlar a epidemia ao não investir em obras de saneamento básico.
‘‘Contrariando a retórica oficial, a qualidade de vida não se faz com publicidade, mas com investimentos em saneamento básico, habitação, educação e saúde que podem evitar a cólera e muitas outras doenças que já estavam erradicadas’’, escreveu a sindicalista em nota à imprensa. Para Mari Rodella, ‘‘a cólera nada mais é do que a falta de saneamento básico e água tratada. Ou seja: males que atingem somente aos miseráveis’’.
O diretor do Centro de Saúde Ambiental da Secretaria Estadual de Saúde, Isaías Cantóia Luiz, negou qualquer manipulação dos boletins sobre os casos de cólera. ‘‘Estamos trabalhando a realidade. O sindicato está querendo apenas espaço na mídia’’, rebateu. Isaías disse que as autoridades de saúde defendem a ‘‘transparência’’ das informações prestados à opinião pública pois quanto ‘‘mais números forem mostrados, maior a chance da população se prevenir contra a doença’’.
Conforme o diretor da Secretaria, ‘‘o que estamos fazendo em Paranaguá é o correto e dentro da realidade e ao invés de ajudar, estas pessoas colaboram apenas com o sensacionalismo’’.(D.V.)

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