Sindicato acusa excesso de peso
Curitiba- O presidente do Sindimafer, José Carlos Rodrigues, disse ontem que os vagões estariam transportando excesso de peso. Eles teriam sido acrescidos de 40 toneladas no peso original para transportar uma carga ainda maior das regiões agrícolas do Estado para o Porto de Paranaguá. Ao ano, a ALL carrega um volume de cerca de 2,4 milhões de toneladas de grãos para o Porto de Paranaguá. Por causa do descarrilamento, a safra poderá ter que ser transportada exclusivamente pela malha ferroviária que custa cerca de 40% mais caro. A previsão é a de que a linha fique interrompida por, pelo menos, dez dias.
Os sindicatos já ingressaram com 15 ações judiciais para que a ALL tenha o contrato interrompido e recupere as linhas férreas paranaenses. A previsão dos sindicatos é a de que a recuperação da malha férrea paranaense custe mais de R$ 900 milhões aos cofres da ALL. ''Tem vagão que está circulando sem freio. É um crime o que está acontecendo no Paraná'', apontou Osmar Ribeiro, presidente da Associação dos Engenheiros. ''A Agência Nacional terá que fazer com que a ALL cumpra suas obrigações contratuais, realizando um relatório completo da malha férrea paranaense. As irregularidades precisam ser sanadas pela empresa ou ela deve suspender imediatamente o tráfego em todos os trechos com irregularidades'', afirmou ontem a assessora jurídica do Senge, Giani Cristina Amorim. ''Se a agência não cumprir sua missão, daí iremos questionar também a agência'', acrescentou ela.
A ANTT informou ontem que encaminhou uma equipe de técnicos para investigar o acidente no Paraná. A equipe, chefiada pelo engenheiro Mauro Simões de Almeida, vai apurar as causas do acidente. Se for o caso, a ANTT informou que poderá instalar uma comissão de apuração que apontará as responsabilidades da ALL no incidente.
O tenente Eduardo Gomes Pinheiro, relações públicas do Corpo de Bombeiros, informou que os vagões chegaram a cair no Rio São João e que a cabeceira da ponte ficou parcialmente destruída porque também teria sido atingida pelos vagões que descarrilaram. Uma equipe do Corpo de Bombeiros do litoral esteve no local ontem e não constatou risco de explosão ou de contaminação por produto perigoso. Exceto os riscos ambientais que estão sendo analisados pelo IAP.(L.P.)





