Sindicato acusa demora no HC de Curitiba
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sexta-feira, 01 de fevereiro de 2008
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O sindicato que representa os funcionários do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, denunciou ontem a demora excessiva para se conseguir consultas com especialistas na unidade. Segundo o Sinditest, em alguns casos a espera chega a quase três anos, o que refletiria a necessidade de uma mudança na gestão do sistema de consultas. A direção do HC afirma que existem demoras apenas quando o paciente precisa trocar de especialista durante o tratamento. Mas defendeu o atual sistema de agendamento e declarou que ele só não é ampliado por falta investimentos.
O presidente do Sinditest, Wilson Messias, afirma que os problemas foram detectados quando os próprios servidores do HC encontraram dificuldades para marcar consultas na unidade. De acordo com o sindicato, em alguns setores, como o de oftalmologia, a espera por uma nova consulta pode durar até 34 meses. Além disso, pode passar de um ano em especialidades como pneumologia (23 meses), ortopedia (19 meses) e cardiologia pediátrica (17 meses). O mesmo aconteceria para marcar retornos. Nesses casos, a espera pode chegar a 18 meses para cardiologia, 15 para reumatologia e 14 para ortopedia.
Messias afirma que o problema está na gestão das vagas oferecidas. O sistema é gerenciado por meio de um acordo entre a direção do HC e o município, que encaminha os pacientes que precisam de atendimento especializado. ''O hospital tem condições de abrir mais consultas. Isso tem que ser mudado em benefício da população, para que ela não seja mais enganada'', disse.
A diretora de assistência do HC, Mariângela Honório Pedrozo, admite longas esperas apenas para casos de pacientes que precisam trocar de especialidade ao longo do tratamento. ''Nesses casos, recomendamos que a pessoa volte a procurar atendimento nas unidades municipais, por onde são marcadas novas consultas no hospital. A fila que existe é uma fila interna, quando o paciente não quer passar por esse processo'', disse. Ela diz que não há solução a curto prazo. ''Não temos espaço físico nem recursos humanos para ampliar o atendimento'', disse. Atualmente, o HC tem 457 ambulatórios, que atendem 1,2 mil pessoas por dia.
O aposentado Eduardo Neves Marques, 80 anos, conta que foi internado em novembro. Depois de receber alta, a consulta de retorno foi marcada para ontem. ''Agora o médico me pediu alguns exames, que foram marcados só para daqui a quatro meses'', contou. ''Se fosse caso de morrer, já estava morto'', declarou.
Yone Pedroso Fuzetto, 52 anos, também aposentada, reclama da demora no atendimento ao marido. ''Ele foi encaminhado ao hospital há 5 meses em caráter de urgência, mas só agora (ontem) foi internado para ser operado'', disse. ''O atendimento aqui é ótimo, só que a gente demora para conseguir'', concluiu.


