Sindicância vai apurar motim na Febem
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de maio de 1999
Agência folha 
A Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social já determinou a abertura de uma sindicância para apurar o que causou a rebelião de dois dias no complexo da Febem do Tatuapé (região sudeste de SP) e se funcionários teriam provocado os jovens para que iniciassem a revolta. Segundo a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Marta Godinho, uma nova rebelião pode ocorrer no local a qualquer momento porque, segundo ela, funcionários incitam os garotos a se rebelar para, dessa forma, usá-los para obter vantagens em suas negociações salariais. Muitos funcionários recebem privilégios e horas extras acima do que é previsto por lei.
O governador proibiu isso e, agora, os funcionários vêm provocando os menores para tentar usá-los para obter vantagens, disse Marta. Mães de garotos disseram que a rebelião começou porque um funcionário jogou um prato de comida no rosto de um jovem. O presidente do Sindicato dos Funcionários da Febem, Antonio Gilberto da Silva, contestou as informações da secretária e disse que as negociações salariais nada têm a ver com a rebelião.
Temos tudo documentado, inclusive um aviso de que haveria rebelião, devido ao clima no local. O problema é que os funcionários fazem muitas horas extras, disse. Ontem, até o início da tarde, a tropa de choque da Polícia Militar foi mantida dentro do complexo. O representante do departamento da criança e do adolescente da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Anselmo Carvalho, entrou no complexo para avaliar a situação e informou que os meninos estavam calmos e que pouca coisa estava quebrada. Fui enviado pelo secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, para avaliar a situação porque consideramos uma postura retrógrada chamar a PM em casos como esse.
O padre Julio Lancelotti, da Pastoral do Menor, afirmou que um menino quebrou o braço e vários apresentaram escoriações. Marta Godinho disse que vai apurar se houve espancamento. Segundo ela, a transferência dos garotos rebelados não foi feita porque não há local equipado para recebê-los, devido à superlotação da Febem. Na semana passada, o governador Mário Covas assinou a liberação de R$ 18 milhões para a construção de novas unidades. Um local na Raposo Tavares está em reforma e ficará pronto em um mês. Esses meninos serão então transferidos para lá para iniciarmos uma reforma no Tatuapé.
O comandante-geral da PM, Rui César Mello, disse hoje que a Febem não solicitou escolta policial para acompanhar o transporte de 60 garotos do complexo para outra unidade na terça à noite, quando cerca de 45 infratores fugiram.


