Uma comissão de sindicância vai investigar a autorização de importação de pneus usados concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) do Paraná. A informação foi dada por Luiz Antonio Nunes de Melo, conhecido como Manaus, que foi afastado da gerência-executiva do instituto no Estado. Ontem, ele garantiu que vai se defender das acusações.
Manaus foi exonerado do cargo por causa da autorização concedida à empresa BS Colway Remoldagem de Pneus Ltda., com sede em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, para importar mais de 1 milhão de pneus usados. A importação desse tipo de produto está proibida pelo decreto 3.919, de 14 de setembro deste ano.
Afirmando que seu afastamento foi uma ''injustiça'', Manaus disse estranhar o fato de não ter sido ouvido antes da exoneração do cargo. ''Em dois dias depois da instalação do processo administrativo eu já estava afastado.''
O ex-gerente executivo falou que não autorizou a importação de pneus usados. ''Na autorização, eu cito apenas pneus, exatamente como é o texto da resolução 258/99 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Se a empresa ou a Justiça autorizarem a importação de usados, não é da minha conta.'' Manaus afirmou que a resolução permite às empresas que destruírem pneus sem condições de uso a importação de número quatro vezes maior de unidades. Ele reclama que, no processo administrativo, há distorção. ''Lá está dito que eu autorizo a importação de pneus inservíveis, o que não é verdade.''
A reportagem da Folha contatou a presidência e a procuradoria-geral do Ibama em Brasília mas não recebeu retorno. A assessoria de imprensa do instituto disse apenas que a exoneração de Manaus faria parte de uma reestruturação das gerências executivas em todo o País.

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