Sindicância sobre privilégio em transplante pune interlocutores
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terça-feira, 02 de março de 2004
Agência Estado 
Rio- Embora uma troca de e-mails entre a então coordenadora do Registro de Doadores de Medula Óssea (Redome), Iracema Salatiel, e o coordenador-geral do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) à época, Francisco Diogo Mendes, em novembro passado, mostre que pelo menos um dos pedidos de tratamento diferenciado a paciente inscrito na fila de transplante era do conhecimento do Ministério da Saúde, a sindicância aberta pela pasta para apurar as denúncias de irregularidades puniu apenas os dois interlocutores.
Salatiel foi exonerada porque, segundo relatório da sindicância, divulgado na sexta-feira, falhou administrativamente ao acatar as pressões e transgredir os critérios para atendimento a pacientes da fila. A ex-coordenadora do Redome, sediado no Instituto Nacional de Câncer (Inca), foi penalizada por ter cumprido ordens superiores - solicitadas por Mendes, também demitido -mas não faz menção às denúncias de que a interferência teria sido encaminhada ao ex-coordenador do SNT por instâncias ainda mais altas, como o ministro da Saúde, Humberto Costa, e o vice-presidente da República, José Alencar.
Além disso, apesar de o diretor do Departamento de Atenção Especializada da Secretaria de Atenção à Saúde, Arthur Chioro, ter acompanhado todo o processo não recebeu qualquer punição.
Em um e-mail enviado dia 21 de novembro, Mendes pede a Salatiel informações sobre a situação da estudante de medicina, de Araraquara, no cadastro de doadores. Menos de uma hora depois, ele manda uma nova mensagem: ''Sobre o caso da paciente Paula Tamer, o STN tem a seguinte solicitação a fazer. Proceder, imediatamente, a continuidade da busca nacional, com os exames que se fizerem necessários, dos três doadores identificados no País (Redome)''.
Dois dias depois, Mendes enviou outro e-mail para Salatiel, solicitando tratar o caso de Paula Tamer de forma diferenciada também na busca realizada em bancos internacionais de doadores.
A demissão de Salatiel foi criticada pelo ex-diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea (Cemo) do Inca, Daniel Tabak, que pediu afastamento do cargo após denunciar a existência de ingerência política no sistema. Segundo ele, a ex-coordenadora apenas cumpriu ordens.
O afastamento da ex-cordenadora do Redome desagradou também diretores de unidades do Inca.


