São Paulo, 13 (AE) - O diretor do Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb), José Reis da Silva, começou a ser investigado, hoje, através de uma sindicância interna, aberta por determinação da Secretaria de Negócios Jurídicos. A investigação diz respeito ao período em que Reis exerceu o cargo de administrador regional de Vila Prudente, por indicação do vereador Archibaldo Zancra (PPB). A sindicância foi aberta com base nas reportagens publicadas pelo jornal "O Estado de S.Paulo", nas quais é mostrada a apropriação de uma praça pela concessionária Rommer Veículos, com autorização de Reis. O caso foi reaberto pelo promotor de Habitação e Urbanismo Lázaro Roberto de Camargo Barros, ao concluir que a AR-Vila Prudente enganou o Ministério Público com falsas informações para que o inquérito fosse arquivado.
Em 1997, meses após assumir a regional, Reis da Silva demonstrou, com projetos e fotografias, que a área pública seria utilizada como praça. Na planta, entregue ao promotor, constam até mesmo bancos de praça que seriam instalados no jardim. Com base nessas informações, o Ministério Público arquivou o caso. O local, no entanto, foi transformado num elegante jardim de acesso à Rommer, com fonte luminosa, totem com logotipo da empresa - e sem os bancos de praça. Um parecer do Tribunal de Contas do Município (TCM) reconhece que a área é pública. Compras - No mesmo período em que a praça foi ocupada pela Rommer, Reis tornou-se cliente da empresa. Em setembro de 1997, ele comprou na Rommer um Vectra zero-quilômetro, hoje avaliado em R$ 30 mil. No ano seguinte, quando enviou ofício ao promotor informando que a praça seria "reurbanizada" com a ajuda da empresa, ele voltou à loja e adquiriu uma caminhonete Blazer, ano 1998. O valor atualizado do carro é R$ 60 mil, equivalente a mais de um ano de seu salário na Prefeitura.
O ex-administrador afirma que as compras são normais e foram feitas com o salário dele e o da mulher, servidora da prefeitura de São Caetano do Sul. Reis, hoje, diz que não se lembra do projeto da praça que incluía os bancos. E continua defendendo a "adoção" da área pela Rommer. "Era um local degradado, com gente consumindo drogas", diz. A informação contradiz uma entrevista que o próprio Reis concedeu a um jornal de bairro, em julho de 1997, na qual ele prometia empenho para que a região não perdesse aquela área verde, utilizada pelos moradores havia pelo menos 25 anos.

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