Brasília, 05 (AE) - Sindicância realizada pelo Ministério da Educação (MEC) concluiu que a Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) praticou irregularidades em seu vestibular de outubro e no anúncio do vestibular marcado para o dia 12, ao oferecer vagas no campus de Osasco, que não tem autorização do governo para funcionar. O resultado da sindicância foi divulgado pelo secretário de Educação Superior do MEC, Abílio Baeta Neves. A Uniban nega qualquer irregularidade.
"Este anúncio (para o vestibular de dezembro) e o de outubro foram irregulares", declarou Abílio Baeta, referindo-se ao material de divulgação dos vestibulares da Uniban para o campus de Osasco. A abertura de sindicância foi pedida pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). Entre amanhã (06) e quarta-feira (08), os conselheiros vão analisar o relatório da comissão de sindicância.
De acordo com Abílio Baeta, caberá ao CNE decidir qualquer tipo de punição à universidade. Mas a orientação do MEC é clara: vestibulares só podem ser realizados para o preenchimento de vagas em campus legalmente criados, o que não é o caso do campus de Osasco da Uniban. O secretário disse, porém, que a decisão da Uniban de abrir um campus no município de São Paulo, perto de Osasco, para receber os novos alunos regularizaria a situação.
Advertência - Na reunião desta semana, os conselheiros poderão votar resolução dispensando as universidades da obrigatoriedade de requerer autorização do governo para abrir campus fora de seu município sede, desde que no mesmo Estado. Na prática isso permitiria a criação imediata do campus de Osasco. Além disso, tramita no conselho pedido da Uniban para a abertura do novo câmpus.
O vice-reitor da Uniban, Milton Linhares, disse na sexta-feira desconhecer o resultado da sindicância e anunciou que a instituição negocia a compra de um terreno no bairro do Jaguaré, na zona oeste, onde deverão ser matriculados estudantes aprovados no vestibular de outubro e que se classificarem na seleção do dia 12.
Linhares afirmou que a inclusão do campus de Osasco nos folhetos dos vestibulares da Uniban teve o objetivo de "avaliar a demanda". Ele negou que os candidatos aprovados fossem ser matriculados nesse câmpus.
Mas a própria universidade divulgou lista geral dos classificados na seleção de outubro, com a indicação, ao lado de cada nome, de um dos campus da Uniban - constando, em muitos casos, o campus de Osasco.
Abílio Baeta defendeu que a Uniban sofra uma "advertência". Para o secretário, que só decidiu abrir sindicância após pedido formal do CNE, não houve "prejuízo material" para os estudantes. "Afinal, ninguém se matriculou num curso inexistente", disse Abílio Baeta.

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