Sindicância apura morte de recém-nascida em maternidade do Rio9/Mar, 18:55 Por Clarissa Thomé Rio, 09 (AE) - A Secretaria Municipal de Saúde abriu sindicância para investigar a morte de Amanda Batista dos Santos 20 minutos após seu nascimento na Maternidade Municipal Leila Diniz, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio. A maternidade é considerada de referência na rede pública. A mãe de Amanda, a doméstica Zefira Batista dos Santos, de 26 anos, teve a bexiga cortada durante uma cesariana feita às pressas, depois de esperar o parto no chão da enfermaria. A causa da morte da criança será divulgada em 15 dias pelo Instituto Médico Legal. Zefira e o marido, o zelador Wellington Carlos dos Santos, de 25 anos, chegaram à maternidade às 3h30 de segunda-feira (06). A maternidade estava superlotada - duas mulheres já esperavam vaga no chão e outras duas no tablado (espécie de cama de cimento coberta por colchão). "Eu não podia levar minha mulher nas costas para outro hospital e tivemos de ficar na maternidade", contou Santos. Quando a bolsa estourou, por volta das 4h40, Zefira foi transferida para uma cadeira e passou a receber soro. "Eu senti muita dor, tive sangramento e implorei por uma cesariana, mas eles negaram", contou a doméstica. O parto normal só começou a ser feito às 11h45. A cabeça do bebê já havia aparecido quando Zefira deixou de ter contrações. Os médicos então decidiram fazer a cirurgia às pressas e acabaram cortando a bexiga da doméstica. O bebê morreu 20 minutos depois do parto. No relatório do hospital, enviado ao IML, consta como causa da morte sofrimento fetal agudo e síndrome hipóxico isquêmica (insuficiência respiratória). Fatalidade - "Foi uma fatalidade, não ocorreu erro, omissão de socorro ou imperícia médica", afirmou a subdiretora da maternidade, Mônica Espósito. "Sofremos de superlotação, mas decidimos absorver a paciente: Zefira teve assistência adequada, ficou no chão por período bem curto e quando foi diagnosticada a necessidade de cesariana, ela foi feita". Segundo Mônica, 8 mil grávidas procuram a maternidade todos os anos, mas a capacidade da Leila Diniz é de 4 mil partos. A Secretaria Municipal de Saúde já teria verba para construir nova maternidade na zona oeste. O zelador Santos registrou queixa na 32.ª Delegacia de Polícia (Niterói) e aguarda a divulgação do laudo do Instituto Médico Legal para decidir se vai processar a direção da maternidade e a Secretaria Municipal de Saúde. Hoje outros pais se queixavam da superlotação e do atendimento na maternidade, conhecida por incentivar partos normais e defender tratamento humanizado para as mães.

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