Sindicância apura morte de bebês
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terça-feira, 05 de junho de 2001
Pedro Dantas Agência FolhaDo Rio de Janeiro 
O ministro da Saúde, José Serra, e o secretário de Saúde do Rio, Ronaldo Cezar Coelho, defenderam ontem a punição aos responsáveis pela morte de pelo menos quatro crianças na semana passada no hospital Salgado Filho, no Méier (zona norte do Rio). A Secretaria de Saúde abriu uma sindicância no hospital. O prazo é de 30 dias para a apresentação dos resultados. A diretora do Salgado Filho, Maria Tereza Brandão, poderá ser afastada do cargo antes do final da sindicância.
Em visita ao hospital, Serra disse que o caso das mortes na enfermaria pediátrica do hospital é o acidente mais estúpido que presenciou em sua gestão.
Uma situação lamentável. É, sem dúvida, o acidente mais estúpido que vi em mais de três anos de permanência no Ministério da Saúde. A indicação até agora é que houve troca de medicamentos, afirmou.
O ministro responsabilizou o hospital, a quem acusou de negligência. A caixa grande que chega ao hospital pode conter medicamentos diferentes, mas são alocados conforme as necessidades por um farmacêutico. Depois, são alocados em enfermaria e distribuídos por enfermeira. Em seguida, o auxiliar de enfermagem aplica o medicamento. É evidente que nesse processo, houve falhas, disse.
De acordo com o ministro, após as duas primeiras mortes, a diretora do hospital teria dado ordens para cancelar a aplicação dos medicamentos. No dia seguinte, morreram outras duas crianças.
Nas noites de quinta-feira e sexta-feira, quatro crianças morreram no hospital ao receber medicação intravenosa. A polícia apura se elas receberam o relaxante muscular Succinil Colin, utilizado em procedimentos de anestesia, no lugar de Cortisonal, antinflamatório broncodilatador para pacientes com problemas respiratórios.
Até ontem, a Secretaria Municipal de Saúde informava haver indícios de que o motivo das mortes poderia ter sido o fato de o laboratório acondicionar os medicamentos em uma mesma caixa ou que as medicações teriam saído trocadas da fábrica. Após a visita do ministro, o secretário de Saúde se referiu ao laboratório como o mais tradicional do país.


