Sindicância apura desvio de verbas na USP de Bauru
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segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por Jair Aceituno, especial para a AE 
Bauru, SP, 05 (AE) - Até a próxima semana, uma comissão de sindicância composta por membros de diversas unidades da Universidade de São Paulo (USP) concluirá os levantamentos sobre a atuação do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Implantes Odontológicos (Napio), que funcionou a partir de 1991 no câmpus da instituição em Bauru (SP) e, apesar de extinto em 1997, ainda mantém serviços, conta bancária e não respondeu às convocações para comprovação e transferência patrimonial. As apurações iniciais indicam que o professor Aguinaldo Campos Júnior, coordenador do órgão extinto, ainda mantém a conta do Napio no Banco do Brasil, registrou o nome do núcleo como propriedade sua e hoje o tem agregado à empresa Kunzel do Brasil, instalada no distrito industrial de Bauru, da qual é sócio.
Como professor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), também teria adquirido materiais da própria empresa, funcionando na transação como vendedor e comprador, ao mesmo tempo. Ao assumir a direção da Faculdade de Odontologia, Aymar Pavarini passou a exigir de Campos Júnior a apresentação do inventário patrimonial para transferir os equipamentos do núcleo para outras unidades. Como não obteve retorno, abriu a sindicância. Em nota distribuída à imprensa, Aguinaldo Campos Júnior nega as irregularidades. Segundo a nota, "o Napio realizou e realiza um grande trabalho, gerou recursos abundantes para a universidade e propiciou uma mudança importante no conceito de implantes no Brasil".
Inquéritos - O próprio Aguinaldo Campos Júnior denunciou ao Ministério Público Federal que a FOB estaria desviando verbas do Sistema Único de Saúde (SUS) originalmente destinadas ao Napio. Isso gerou um inquérito civil público. Também acusou professores da institutição de estarem desrespeitando o regime de dedicação exclusiva ao ministrar aulas e prestar serviços a outras instituições, motivando um segundo inquérito. Agora, o procurador federal Pedro Antônio de Oliveira Machado também passou a verificar as atividades do Napio.


