Sindicância apura denúncia de revenda de armas a traficantes envolvendo PMs do Rio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de março de 1999
Por Clarissa Thomé, especial para a AE 
Rio, 30 (AE) - O secretário de Segurança Pública do Rio, general José Siqueira, determinou a abertura de sindicância interna para investigar denúncias de que policiais militares do 6º Batalhão da Polícia Militar, na Tijuca, zona norte da cidade, teriam revendido a traficantes do Morro da Formiga, na Tijuca, armas apreendidas na própria favela. A suposta negociação entre PMs e traficantes teria frustrado uma operação da Polícia Federal, que esperava encontrar um carregamento de fuzis recém-chegado ao morro.
O governador Anthony Garotinho reagiu com indignação às denúncias: "Nosso governo não compactua com o mau policial e vai punir com rigor os culpados, que serão expulsos em rito sumário", garantiu. De acordo com o relatório de um agente federal, divulgado hoje pelo jornal "O Globo", policiais militares do 6º Batalhão numa incursão ao Morro da Formiga, no dia 22 de março, apreenderam 17 fuzis, drogas, explosivos, "que foram comercializadas e restituídas naquela mesma data à criminalidade local".
Dois dias depois, 35 agentes federais vasculharam o morro em busca de um carregamento de 150 fuzis clandestinos e importados. Resultado da operação: nenhuma arma encontrada e o agente Rod Reis, de 26 anos, baleado. O relatório insinuaria ainda que a presença do comandante do 6º BPM, tenente-coronel Roberto Coutinho, que esteve no morro no dia da ação da PF, seria indício de comprometimento com os traficantes.
"Estranho muito que um relatório confidencial tenha sido interceptado por um jornalista, mais estranho ainda é que a Polícia Federal não tenha feito nenhum contato oficial até agora", afirmou o comandante geral da PM, coronel Sérgio da Cruz. O coronel contou que Coutinho soube por meio dos policiais em patrulha no morro que havia uma megaoperação da PF na área. "Ele esteve lá para colocar o batalhão à disposição dos federais e seus homens só retornaram ao morro para auxiliar na retirada de um agente ferido", afirmou Cruz.
A assessoria de imprensa da Polícia Federal informou que o superintendente Paulo Roberto Ornelas determinou a abertura de sindicância a fim de apurar como as informações vazaram para a imprensa. "O relatório é uma impressão pessoal de um agente federal a seu superior, e não reflete a posição da corporação", afirmou o assessor Sílvio Pinho.


