Sindicam cobra vale-pedágio
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quarta-feira, 14 de novembro de 2001
Israel Reinstein<br>De Curitiba 
Na iminên cia do rea juste das tari fas de pedá gio, previsto para dezem bro, o Sindi cato dos Transporta dores Rodoviários Autônomos do Paraná (Sindicam) está cobrando do governo o funcionamento do vale-pedágio. Lançado depois do último reajuste, há um ano, o instrumento foi criado para evitar que o tributo fosse absorvido pelos caminhoneiros. Mas os dados do Sindicam apontam que apenas 20% da frota paranaense de caminhões (em torno de 160 mil veículos) estão recebendo esse benefício.
''Não adianta a gente discutir reajuste de pedágio agora quando a maioria dos caminhoneiros é obrigada a incorporar o custo da tarifa no frete'', disse Diumar Cunha Bueno, do Sindicam. Ele reclama que o governo deixou de fiscalizar esse dispositivo. ''O sistema só funciona porque algumas empresas ainda se dispõem a pagar para as transportadoras e caminhoneiros'', disse.
Quando foi lançado o vale-pedágio, a Receita Estadual, em conjunto com a Polícia Rodoviária Estadual, montou barreiras nas estradas, ameaçando abrir processo contra quem não cumprisse o processo. O governo ainda prometeu realizar devassa fiscal em quem desrespeitasse a lei. Mas Diumar Bueno disse que não soube se empresas foram multadas.
''Para os caminhoneiros um aumento do pedágio em 12% vai só piorar a realidade do setor'', disse. A Folha procurou no fim da tarde a Receita Estadual, mas não encontrou nenhum diretor para que falasse sobre falhas na fiscalização do vale-pedágio.
O governo ainda não anunciou oficialmente em quanto vai aumentar a tarifa. Mas extra-oficialmente, o índice deve variar entre 9% e 12%.
Projeções de funcionários das concessionárias já apontam em um reajuste médio de 10%. Mas, um novo percentual ainda não está fechado, porque depende das divulgações de índices, como o IGP-M (Índice Geral de Preço de Mercado). Este indexador será divulgado pela Fundação Getúlio Vargas no próximo dia 15, junto com outros que compõem a tarifa de pedágio. No entanto, o IGP-M alcançou 10,48%.
A fórmula de cálculo do pedágio incluiu um mix de indexadores, a maioria relacionada ao setor de construção e transporte. Por isso, na planilha a ser apresentada à Secretaria de Transportes, o item que mais deve influir na recomposição de tarifas é o asfalto. Por ser um derivado de petróleo, o produto oscilou em função de crise financeira brasileira.


