Curitiba- Estivadores, conferentes e arrumadores sindicalizados fizeram na noite de anteontem uma rebelião contra as novas determinações dos operadores portuários que controlam o Órgão Gestor de Mão-de-Obra (OGMO), local onde os trabalhadores terão que se reunir para serem chamados ao trabalho. Os sindicalizados, contrários à medida, quebraram os equipamentos do armazém e colocaram fogo no local. Também danificaram a sede administrativa.
Na prática, os arrumadores portuários sindicalizados é que determinavam os funcionários que fariam parte da escala do dia, através de uma chamada feita pelo próprio sindicato. Com a determinação, os operadores escolhem sindicalizados ou não (trabalhadores avulsos) para a escala diária. Com isso muitos funcionários poderiam perder renda no fim do mês.
A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) disse ontem que a rebelião tem o apoio da diretoria do porto. Segundo a assessoria de imprensa, os operadores estão querendo privatizar inclusive a mão-de-obra dos funcionários.
Os operadores portuários é que controlam atualmente o OGMO. Entretanto, a lei estadual 8.630 diz que órgão gestor deveria ser gerenciado por todos os segmentos que atuam no Porto de Paranaguá. ''É uma revolta interna. Os trabalhadores querem garantir seus espaços e impedir a privatização'', explicou a administração portuária.
Ontem pela manhã, os operadores foram recebidos pela superintendência do porto. Na segunda-feira, será a vez dos arrumadores portuários sindicalizados. A intenção é tentar uma solução pacífica para o impasse. A APPA não tem poder de intervir diretamente na negociação, mas está apoiando os 6 mil trabalhadores portuários.
O superintendente Eduardo Requião manifestou apoio aos trabalhadores avulsos, pertencentes à categoria dos arrumadores, que acabaram se envolvendo no quebra-quebra. ''O conflito foi gerado pelos empresários que atuam como operadores portuários e ocorreu para denegrir a imagem do Porto de Paranaguá, que é o que mais cresce no país'', afirmou.
De acordo com o major Luiz Henrique Pombo do Nascimento, comandante do Corpo de Bombeiros de Paranaguá, dois pontos foram depredados. O primeiro foi o armazém onde o fogo consumiu 20% do local que tem 5 mil metros quadrados e o segundo, a sede administrativa. Lá, eles jogaram gasolina e tentaram atear fogo.
O representante do Sindicato dos Arrumadores de Paranaguá, Ezequias Ferreira, argumentou ontem que o local onde o Ministério Público (MP) do Trabalho quer que seja feita a chamada não tem infra-estrutura para os trabalhadores. ''Isso aqui é uma jaula. Não dá para trabalhar aqui. Não tem saída de emergência, ventilação ou banheiro'', argumentou Ferreira. Ninguém assumiu a autoria da depredação.
A Delegacia de Paranaguá abriu inquérito policial para investigar as causas do incêndio e os autores da depredação.

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