São Paulo, 13 (AE) - As lideranças da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical decidiram suspender a greve de 24 horas prevista para amanhã nas montadoras do Paraná e realizar um protesto contra a Fiat, que poderá ganhar proporções de um boicote aos carros da marca. Um grupo de trabalhadores fará manifestação em frente a uma das maiores revendas Fiat em São Paulo, a Mais, na avenida do Estado.
A paralisação faria parte do chamado "festival de greves" que as duas centrais iniciaram no mês passado para forçar as montadoras e as fabricantes de autopeças a negociarem um contrato coletivo nacional de trabalho. Durante a tentativa de paralisar as atividades na Fiat em Betim (MG), em 29 de setembro, houve conflito entre seguranças da empresa, Polícia Militar e sindicalistas, resultando em vários feridos.
A produção da Fiat ficou paralisada por apenas três horas. No Rio de Janeiro e em São Paulo as greves foram realizadas nos dias 23 de setembro e na última quinta-feira, sem qualquer incidente. O calendário de paralisações terá continuidade no dia 21, quando deverá ser realizada a greve no Paraná e depois em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
As centrais também prometeram voltar à Fiat. "Queremos denunciar à população a atitude violenta e anti-democrática da empresa para com seus funcionários e o movimento sindical", disse o presidente da CUT-SP, José Lopes Feijóo. Segundo ele, o objetivo inicial não é fazer um boicote aos produtos da marca, "mas se a montadora não mudar sua postura essa será a segunda etapa desse movimento, que será deflagrado em todo o País", afirmou.
O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Ramiro de Jesus Pinto, disse que será divulgado um manifesto com informações e fotos sobre "como a Fiat maltrata o movimento sindical." A empresa não enfrenta uma greve há 15 anos. Após o protesto do dia 29, a montadora suspendeu oito funcionários que são diretores do sindicato local por terem participado do movimento.

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