Sindicalistas se mobilizam pela renovação da frota
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Marli Olmos 
São Paulo, 27 (AE) - O movimento sindical decidiu se mobilizar pela aprovação do programa de renovação da frota de veículos. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC vai fazer um seminário sobre tema no dia 28 de fevereiro, onde pretende reunir os fabricantes de veículos, as lideranças dos trabalhadores e o governador de São Paulo, Mário Covas. "Se até lá o governo não aprovar o programa, faremos pressão", disse o presidente do sindicato, Luiz Marinho.
Para Marinho, a renovação da frota precisa ser concluída. "Não há motivos para não sair porque trata-se de incremento de produção e, por isso, não haverá renúncia fiscal"
disse. É justamente o receio de perder arrecadação que está incomodando a equipe econômica.
Representantes da indústria estiveram ontem com o ministro do Planejamento, Indústria e Comércio, Alcides Tápias, com a sua proposta definitiva de programa, com a esperança de que o governo desse o pontapé inicial para um programa que eles queriam ver implementado até o final de março.
O ministro não comentou, na reunião, eventual resistência do Ministério da Fazenda, que tem demonstrado procuração com a possibilidade de haver perda com a renúncia fiscal. Mas disse aos dirigentes da indústria que a questão ainda precisa ser negociada internamente no governo.
Os fabricantes de veículos garantiram ontem ao governo que o mercado brasileiro absorverá este ano 1,190 milhão automóveis de passeio e comerciais leves mesmo sem o programa da frota - volume ligeiramente superior ao do ano passado. Por isso
o programa, garantem, traria vendas adicionais.
A indústria também conseguiu apoio de Tápias à proposta de incluir os carros usados no programa. Ou seja, o proprietário de veículos com mais de 15 anos poderá trocá-lo por outro menos velho. Mas neste ponto, fabricantes e governo chegaram a um consenso para um critério: limitar a validade do bônus.
O Brasil tem hoje frota aproximada de 20 milhões de veículos. Deste total, 9 milhões têm mais de 10 anos, sendo que 5 milhões têm acima de 15 anos. Esta parte da frota é responsável por 77% da poluição veicular e por 60% dos acidentes com vítimas. Ao se desfazer do carro com mais de 15 anos de uso, o proprietário vai receber um bônus para obter desconto para compra de outro menos velho ou um zero-quilômetro.
Inicialmente, este bônus será de R$ 1.800: R$ 600 arcados por montadoras e concessionários, R$ 500 custeados pelos governos estaduais com Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços menor e R$ 700 concedidos pelo governo federal, por meio de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados. O concessionário encaminha o bônus para a montadora que o repassa ao governo, que entra com a redução do IPI.
O destino da sucata também já está resolvido. A Companhia Belgo Mineira já tem uma usina de reciclagem de veículos pronta em Juiz de Fora (MG). As montadoras também têm contratos de reciclagem assinados Gerdau e Barra Mansa, do Grupo Votorantim. A indústria estima a necessidade de instalar entre seis e oito usinas em todo o País.


