Sindicalistas querem que FHC vete auxílio-moradia
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terça-feira, 29 de fevereiro de 2000
Por Vânia Cristino 
Brasília, 01 (AE) - Os sindicalistas querem que o presidente Fernando Henrique Cardoso vete o auxílio-moradia de R$ 3 mil, concedido liminarmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para os juízes. O pedido foi feito hoje pelo presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, ao ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, e ao líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM). Os sindicalistas também defenderam uma definição rápida para o salário mínimo, com um aumento real que eleve o piso salarial do País dos atuais R$ 136 00 para R$ 180,00.
O pedido dos sindicalistas foi feito durante o lançamento do 12.º número da Revista "Mercado de Trabalho", no auditório do Ministério do Trabalho, em Brasília, que contou também com a presença do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, e do presidente da Social Democracia Sindical, Enilson Simões de Moura.
"É uma coisa vergonhosa", declarou o presidente da Força Sindical, ao se referir ao auxílio-moradia dos juízes. "Apelo ao líder do governo e ao ministro do Trabalho para pedir ao presidente da República que vete", disse Paulinho. Na presença do advogado Ives Grandra, ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Paulinho chegou a dizer que estava louco para ver uma greve de juízes somente para que a população tomasse consciência de que não precisava deles.
A provocação do sindicalista mereceu uma resposta de Grandra. Ele contou que lutou contra a greve porque um juiz do trabalho que entrasse em greve não poderia julgar mais nenhuma paralisação abusiva. A solução para evitar a greve, segundo Grandra, foi heterodoxa. "O problema do teto tem de ser resolvido", defendeu.
Se depender de Dornelles, o pedido de veto ao auxílio-moradia, feito pelos sindicalistas, não será levado ao presidente. Ao final da solenidade, Dornelles disse que três coisas são proibidas na administração pública: falar demais, se meter na área dos outros e achar que está forte demais. "Não é minha área", desconversou o ministro. Com relação ao salário mínimo Dornelles voltou a defender que seu valor só seja ajustado na última quinzena de abril. Até lá, segundo o ministro
governo e sociedade devem procurar caminhos que possibilitem o aumento do mínimo sem elevar demais a pressão sobre o déficit público e sem atrapalhar a trajetória de queda das taxas de juros.


