Sindicalistas organizam protesto contra o valor do mínimo para o 1.º de Maio19/Mar, 22:17Por Bruno Paes MansoSão Paulo, 19 (AE) - Trabalhadores e sindicalistas pretendem realizar uma grande manifestação no dia 1.º de maio para protestar contra o valor de R$ 150 que o governo deve estabelecer para o salário mínimo. Os principais líderes sindicais começam esta semana a planejar com os militantes as ações a ser realizadas até o Dia do Trabalho. "O valor vergonhoso do salário mínimo será este ano o tema principal dos protestos", afirmou hoje o Vicente Pereira da Silva, o Vicentinho, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Vicentinho disse que o novo valor do mínimo ainda está longe das promessas que o presidente Fernando Henrique Cardoso fez quando ainda era candidato: "Ele havia prometido dobrar o mínimo, mas corremos o risco de o mandato acabar e o salário permanecer no mesmo patamar de US$ 70". A proposta da CUT, explicou Vicentinho, era aproximar o valor do mínimo da média verificada nos países do Mercosul hoje - segundo ele, de US$ 150. "Apoiávamos atualmente a proposta de US$ 100 do PFL, que também ficou distante". O presidente do sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, como Vicentinho, defendia a proposta apresentada pelo PFL. "O valor de R$ 150 é indecente, aquém das necessidades dos trabalhadores e das possibilidades da economia". Marinho disse que o rombo da Previdência poderia ser aliviado se o governo cobrasse as dívidas dos grandes devedores. "O mínimo é sempre apontado como o grande culpado porque quem perde é o lado mais fraco - os trabalhadores", criticou. "Por que o governo não ataca os poderosos para diminuir o déficit da Previdência?" Apesar de o salário dos metalúrgicos estar, em média, acima do mínimo, Marinho diz que é de interesse do sindicato entrar na discussão. "No fim das contas, todos acabam afetados por esse baixo valor", raciocinou. "Com um mínimo nesse patamar, o consumo continua baixo e a recuperação da economia torna-se mais difícil".