Belém, 29 (AE) - Os agrônomos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Brasília, Manoel Jorge Pereira Carvalhal e Raimundo da Costa Maoés estão desde o final da tarde de hoje como reféns na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Curionópolis, no Sul do Pará.
Segundo o presidente do Comitê pela Reforma Agrária de Curionópolis, José Luiz Dias da Rocha, os dois reféns só serão liberados quando a direção do Incra mandar para a região o diretor de Desapropriação do órgão, Sergio Paganini.
Eles querem que Paganini defina a desapropriação das fazendas Jacaré Grande, Fortaleza, Lago Grande e Paloma, ocupadas há 13 meses por cerca de 600 famílias ligadas ao Movimento de Luta pela Terra (MLT).
As fazendas já foram vistoriadas pelo Incra mas o problema é o preço a ser pago pelo governo federal. Técnicos do órgão em Marabá avaliaram cada alqueire das fazendas em R$ 2,9 mil, mas este valor foi considerado elevado pela direção do Incra em Brasília, que quer pagar R$ 2,4 mil.
Os fazendeiros não aceitam esse valor, afirmando que já baixaram o peço do alqueire para "facilitar a negociação". Segundo Rocha, os agrônomos viraram reféns porque essa é a única forma de garantir o assentamento das famílias que se encontram no local.
Ele informou que as igrejas católicas, evangélicas, políticos e os próprios fazendeiros estão apoiando a conduta do movimento, exigindo uma imediata definição para o problema. Rocha denunciou que os trabalhadores rurais acampados nas fazendas estão "passando fome e doentes", enquanto os dirigentes do Incra há mais de sete meses divergem sobre os preços das quatro áreas, sem encontrar uma solução.
O refém Manoel Carvalhal disse que está sendo bem tratado na sede do sindicato e que não tem nada a reclamar do MLT, acrescentando que já havia recebido comida e água e tomado banho. "O nosso único problema aqui é a falta de liberdade", resumiu.

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