Belém - O sindicalista Osvaldino Viana de Almeida, 40, ligado à Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura), foi torturado e assassinado com um tiro na cabeça, anteontem, no município do Afuá, nordeste da ilha do Marajó, no Pará.
Este é o oitavo assassinato envolvendo lideranças sindicais e trabalhadores rurais sem-terra ocorrido neste ano no Pará, segundo a CPT (Comissão Pastoral da Terra). O número já é igual ao registrado pela entidade em todo o ano passado.
O sindicalista, conhecido como ''Profeta'', foi morto por pelo menos três homens encapuzados. Ele foi amarrado, teve a barba arrancada, foi espancado, torturado e depois assassinado com um tiro na cabeça, segundo a Polícia Civil.
''Ele (Almeida) vinha sofrendo uma série de ameaças nos últimos anos por ter denunciado questões ligadas à pirataria, os chamados ratos d'água'', disse o coordenador da CPT no Pará, Jax Pinto.
O sindicalista pertencia ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Afuá, município com cerca de 40 mil habitantes, localizado próximo à divisa territorial do Pará com o Amapá. A direção estadual do PT, partido ao qual Almeida era filiado, repudiou a violência praticada contra o sindicalista.
Só neste ano 30 trabalhadores rurais receberam ameaças de morte no Estado, segundo a entidade. ''As causas mais frequentes dos conflitos estão ligadas à luta pela posse da terra, a exploração ilegal do meio ambiente e denúncias de corrupção'', disse o coordenador da CPT.
A mulher de Almeida e dois netos dele tiveram que pular em um rio para escapar dos assassinos. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o crime.
O Sindicato dos Trabalhadores Rurais, a CPT e a Diocese do Amapá informaram que já haviam encaminhado ao governo do Estado denúncias de ameaça de morte contra Almeida.
Segundo as entidades, depois de assassinar o sindicalista, os pistoleiros ainda viajaram até o Amapá com o barco do sindicalista e agora todos estariam escondidos na região do município de Breves (PA). A Polícia Civil de Afuá informou que não possui um barco para realizar as investigações na região, que possui pelo menos 30 ilhas.
Segundo a polícia, o crime teria sido registrado inicialmente no município de Santana, no Amapá, por ser o local mais próximo do crime.
Uma nota divulgada por entidades sindicais do Pará e do Amapá diz que ''o Estado precisa intervir para que o poder paralelo dos bandidos não domine na região, que está virando terra de ninguém''. Diz ainda a nota que ''a omissão quase total torna o Estado co-responsável por esta violência''.

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