Paulo Roberto Natal, que hoje trabalha como segurança em uma empresa de Curitiba, afirma que é grande a expectativa entre os ex-policiais ferroviários demitidos na década de 1990. Ele guarda até hoje o uniforme da época em que trabalhava na área.
''O que estão dizendo é que sairia uma segunda portaria, com os nomes desses que não saíram na primeira lista, e depois disso vão começar a chamar o pessoal, para fazer exames de saúde, ver quem está apto para trabalhar'', diz o segurança. Natal relata que entrou na RFFSA em 1981, em outra função. Em 1987, prestou concurso interno e tornou-se policial ferroviário, profissão que exerceu até 96.
''Na época, era o governo Fernando Henrique Cardoso. O governo nos induziu a assinar o Plano de Demissão Voluntária (PDV), prometendo várias compensações. Os envolvidos disseram até que, quando a gente fosse para a iniciativa privada, ofereceriam um curso profissionalizante. Mas não cumpriram nada do que prometeram'', desabafa.
Luís Antônio Festino, coordenador do grupo de trabalho da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (CNTTT), explica que a PFF está com a situação indefinida há mais de 20 anos.
''A Constituição Federal de 1988 deu ordenamento às polícias. A Polícia Rodoviária Federal foi regulamentada, mas a PFF, não. Na década de 1990, o transporte ferroviário de passageiros foi repassado para os governos estaduais e o transporte de cargas, privatizado. No caso do transporte de passageiros, os policiais continuaram vinculados à administração pública. No transporte de cargas, foram sendo deixados de lado'', relata Festino.
O coordenador estima que, com as aposentadorias, demissões e mortes de policiais ferroviários, o contingente diminuiu dos cerca de 3,5 mil homens do começo da década de 1990 para aproximadamente 600 hoje. O número exato está sendo apurado por entidades representativas da categoria.
Segundo a CNTTT, a maioria dos policiais ferroviários na ativa trabalha na segurança do transporte ferroviário metropolitano, gerido pelos governos estaduais.
''Na segurança de transporte de cargas, não tem quase ninguém'', diz Festino, que argumenta que há muitas situações para as quais o Brasil necessita de uma polícia específica para ferrovias: furto de trilhos, depredação de estações, pontos de passagem dentro de cidades, ocupação de áreas de ferrovias, segurança de cargas e passageiros, contrabando e tráfico de drogas por trem. (F.G.)

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