Manaus, 01 (AE) - O coordenador-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Amazonas (Sindsep), Walter Matos de Moraes, registrou hoje, na Superintendência da Polícia Federal (PF) do Estado, uma queixa por causa das ameaças de morte que ele e o diretor de Administração da entiddade, Meandro Abreu Sodré, vêm recebendo, por meio de telefonemas anônimos.
Moraes disse que as ameaças partem de quem não quer que a população tome conhecimento das irregularidades existentes na administração regional da Fundação Nacional de Saúde (FNS). Foram afastados três diretores da FNS, sob a acusação de desviar R$ 4,7 milhões. O Ministério Público Federal (MPF) abriu procedimento para investigar o caso, afirmou o procurador-chefe, Sérgio Lauria.
Segundo Moraes, as ameaças começaram há duas semanas e mudaram a rotina da família dele. "Tivemos de mudar para um outro local e só ando acompanhado por diretores do sindicato", disse. "Agora, o Estado é o responsável por qualquer eventualidade que venha a acontecer comigo ou com a nossa família."
As denúncias do Sindsep, investigadas por auditores do Ministério da Saúde, confirmaram superfaturamento, falsificação de cheques e emissão de notas fiscais frias, além do pagamento de diárias e serviços não realizados pela FNS. No Amazonas, o órgão tem papel fundamental no combate às endemias, como malária e febre amarela. No período de 1995 a 1998, o governo disponibilizou para a regional R$ 72 milhões. Em Tabatinga, a fundação gastou R$ 39 mil para o conserto de duas lanchas, que continuam inoperantes. O relatório aponta que o serviço não foi feito. Os coordenadores Horácio Augusto de Almeida, Messias Souza Freire e Rainier Pedraça de Azevedo foram afastados dos cargos. Eles terão de devolver o dinheiro aos cofres públicos, que foi desviado no período de 1997 e 1998. Ainda essa semana, as denúncias chegam ao conhecimento do ministro da Justiça, Renan Calheiros. Uma audiência está sendo intermediada pela Confederação dos Servidores Públicos Federais. "Vamos pedir proteção de vida e que as pessoas envolvidas nas fraudes sejam compelidas a ressarcir ao Tesouro Nacional", afirmou Moraes.

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