Sindicalista diz que greve dos caminhoneiros começa de manhã
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sábado, 28 de agosto de 1999
Por Renata de Freitas 
São Paulo, 29 (AE) - O presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), José Araújo Silva, o China, disse que a paralisação da categoria começará às seis horas da segunda-feira. A convocação inicialmente era para a meia-noite deste domingo, mas o China considerou desnecessário que os caminhoneiros passassem esta noite em claro já que aposta numa greve prolongada.
"Decidimos parar gradativamente porque vai ser uma greve duradoura, de mais de uma semana", afirmou à Agência Estado. "Queremos resolver o mais rápido possível, mas será difícil que dure menos que cinco ou seis dias", declarou.
Na pauta de negociações da Unicam, o China enumera três interlocutores - o governo federal, o governador paulista, Mário Covas (PSDB), e a iniciativa privada. Na paralisação de julho, os caminhoneiros, liderados então pelo presidente da União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, negociaram apenas com o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha.
Para o China, discutir com o governo paulista é imprescindível porque só nas rodovias do Estado existem 71 pedágios. Segundo o sindicalista, ele já encaminhou à Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) e a associações patronais uma carta reivindicando aumento do frete.
A divergência entre os sindicatos caminhoneiros pode esvaziar esse novo chamamento de greve. "Na segunda-feira vamos ver se vou ser reconhecido porque estou dizendo que o País vai parar", disse o China. Para a União Brasil Caminhoneiro, a negociação com o governo federal continua.
Segundo o China, já há paralisações no Rio Grande do Norte, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ele acompanha o movimento de São Paulo, por telefone. "Estive me aproximando dessas lideranças nos últimos seis meses, tenho mais de quatro mil telefones", afirmou.
O sindicalista admitiu que no Estado a greve é mais difícil, mas definiu dois pontos de piquetes - ou conscientização, como ele chama - nas rodovias Presidente Druta e Castelo Branco. Ele informou que 1.200 caminhoneiros que transportam areia até São José dos Campos, pela Dutra, encerram o trabalho neste domingo e iniciam uma mobilização num posto de combustível em Guararema, na segunda-feira. Uma comissão irá, de automóvel, percorrer a Dutra e "acomodar" os demais caminhoneiros nos postos.
"O que menos se vai ver desta vez é caminhão na pista", declarou. "Todo mundo vai perceber que estamos parados porque não vai haver caminhões", completou.
Na Castelo Branco, o China conta com a mobilização dos transportadores de matérias-primas para a Votorantim, cerca de 200 caminhoneiros, segundo ele, aliados à Unicam.
A instrução da Unicam é de que os caminhoneiros não bloqueiem as estradas, mas parem nos postos ou nas residências. "O governo não pode entrar em propriedade alheia e nos fazer trabalhar", afirmou.
Segundo o China, as cargas perecíveis não serão bloqueadas nas estradas. Ele disse que frigoríficos e fornecedores de flores, como os de Holambra, já foram instruídos a adiar os carregamentos.


