Sindicalista denuncia cobrança de "pedágio" de motoristas e cobradores de ônibus
São Paulo, 31 (AE) - Motoristas e cobradores de ônibus estão tendo de pagar "pedágio" a criminosos e viciados em drogas na periferia de São Paulo para garantir sua integridade física e poder prosseguir as viagens. A denúncia foi feita hoje ao secretário de Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, por Gregório Poço, presidente do sindicato dos motoristas e cobradores. Os dois estiveram reunidos à tarde na sede da secretaria.
Poço foi solicitar reforço das Polícias Civil e Militar para a segurança dos profissionais e pedir providências contra a ação dos perueiros, que já incendiaram 12 ônibus em protesto contra a repressão feita pela Prefeitura. Poço terminou por revelar a existência do achaque organizado. "Em alguns lugares da cidade parece que existe outra administração", observou. Segundo Poço, em Cidade Tiradentes, na zona leste, motoristas e cobradores têm de tirar do bolso quantias entre R$ 2,00 e R$ 10 00 e entregá-las aos líderes dos crimes para poder trabalhar. "Quem paga é o pessoal da Viação Cidade Tiradentes".
O chefe do setor de tráfego da empresa, Antônio Ivanildo Oliveira Silva, confirma as extorsões. "Os maus elementos pedem R$ 10,00 e, se não ganham, assaltam e levam tudo", disse. "Às vezes, levam documentos pessoais dos funcionários para intimidá-los". Segundo Silva, os ataques ocorrem pelo menos uma vez por semana em cada linha. A média de assaltos é maior: quase uma vez por dia. Em outubro, foram 36. Em novembro, 27. E, em dezembro, 21. "Mas agora até diminuiu porque já teve mês com até 67 assaltos".
Em entrevista, depois do encontro, o secretário Petrelluzzi negou que tivesse sido informado sobre o pagamento de "pedágio". "Não me disseram nada". Os representantes do sindicato dos motoristas e cobradores entregaram ao secretário um mapa dos pontos de maior insegurança na cidade e as estatísticas de assassinatos e agressões a profissionais do transporte coletivo. "Somente em 1999, foram 9 mil assaltos contra a categoria", disse Poço.
Segundo ele, medidas como a realização de mais blitze de PMs e acompanhamento policial em regiões de risco ajudariam a inibir a atuação dos criminosos. "Não é mais uma questão de transporte, é questão de segurança". Petrelluzzi solicitou por escrito do sindicato a lista de sugestões. Novo encontro foi marcado para as 9h30 de amanhã, na sede da secretaria. "Como eles são os que mais conhecem os próprios problemas, acreditamos que suas sugestões serão úteis", disse o secretário. (Uilson Paiva)





