Sindicalista critica prioridade dada ao automóvel e defende transporte público
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de junho de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 18 (AE) - O presidente do Sindicato dos Fabricantes de Material Ferroviário (Simefre) e do Sindicato dos Fabricantes de Carrocerias de Ínibus (Fabus), José Antônio Fernandes Martins, criticou duramente, hoje, o poder público pela prioridade dada ao automóvel, em detrimento do transporte público. Segundo ele, nos últimos dez anos, a indústria automobilística cresceu 70%, enquanto o sistema viário se expandiu apenas 10% no mesmo período. "Vamos acabar sufocados por tantos carros nas ruas", afirmou. "Os índices de poluição aumentam dia após dia e o Brasil continua facilitando o aumento da produção de multinacionais sob o pretexto de geração de emprego".
Martins considerou um "absurdo nacional" e uma "calamidade" a guerra fiscal travada entre os Estados que disputam a instalação de montadoras, abrindo mão de impostos e oferecendo financiamentos subsidiados. Além de afirmar que as multinacionais viriam ao Brasil, mesmo sem facilidades, pelo seu potencial de mercado, o sindicalista destacou o contra-senso de se estimular a produção de automóveis quando não se dispõe de uma estrutura viária. Defendeu o combate ao transporte clandestino "antes que o transporte público apodreça". E citou um editorial do jornal "O Estado de São Paulo" sob o título "A Máfia das Peruas", para ilustrar que o poder público tem proposto "soluções de faz-de-conta" e para pregar a necessidade urgente de se juntar vontade política e estratégia bem definida para a recuperação da estrutura e da imagem do transporte público regulamentado.
Martins falou no encerramento do 12º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, promovido pela Associação Nacional de Transporte Público (ANTP), que reuniu 1,3 mil pessoas de 23 Estados durante quatro dias no Centro de Convenções, em Olinda. Para que a meta do congresso - a busca de se construir a cidade do século 21 com transporte eficiente e qualidade de vida - não fique somente na intenção, ele Martins colocou os sindicatos que dirige à disposição dos governos federal, estadual e municipal, e disse que o setor está disposto a qualquer sacrifício para conseguir reverter o quadro atual vivido pelo transporte público (de deterioração e crescente queda de passageiros).
O secretário executivo da ANTP, Aílton Brasiliense Pires
ressaltou a insuficiência de financiamentos para o setor e a necessidade de se consolidar uma política nacional de transporte público. De acordo com ele, o governo norte-americano, que investiu no automóvel como solução de transporte, está rediscutindo o uso do solo e redirecionando a prioridade para o transporte público. Segundo ele, os Estados Unidos vão investir US$ 200 bilhões nos próximos seis anos em transporte coletivo, com a contrapartida de US$ 50 bilhões dos poderes regionais e locais.


