Salvador, 05 (AE) - o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Wenceslau Guimarães, a 282 quilômetros de Salvador, Gilson dos Santos, acusou hoje o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de desviar recursos da reforma agrária, submeter colonos a regime de semi-escravidão e espancar assentados que não aceitam as normas da entidade no Projeto de Assentamento Che Guevara. O dirigente do núcleo estadual do MST, em Salvador, Walmir Assunção, negou as acusações. Segundo o líder sem-terra, o que está ocorrendo "é uma disputa política". Ele acusa Gilson Gomes de estar fazendo campanha para se eleger vereador. Nenhuma das supostas vítimas de agressão compareceu à delegacia para prestar queixa.
Em telefonema à sede da Federação dos Trabalhadores na Agricultura na capital baiana, o sindicalista disse estar sendo ameaçado de morte por diretores do movimento, o que o estaria obrigando a andar com seguranças. Segundo Gomes, ele já pediu providências à delegacia do muncípio, à Policia Federal e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
De acordo com ele, a única medida oficial tomada até agora foi o bloqueio dos recursos do assentamento pelo Incra, que estaria investigando as denúncias. O delegado local Mário Fagundes Silva, que apura as acusações, diz que a situação é "extremamente difícil e preocupante".
Ainda conforme o sindicalista, 26 famílias teriam sido expulsas da área pelo MST. Outras dez que permaneceram, no entanto, estariam sendo impedidas de sair do local, vigiado, de acordo com o sindicalista, por 300 integrantes do MST. Segundo Gomes, no início do mês os assentados decidiram em assembléia que não queriam mais a tutela do MST. "Por causa disso, o pessoal quebrou o pau, espancou vários assentados e tocou fogo nas roças", afirmou. Para o líderr sem-terra, tudo não passa de uma disputa política. "Gilson Gomes é candidato a vereador", disse. Desvio - Segundo Gomes, pelo menos a metade dos R$ 5,1 milhões liberados pelo Incra, a partir de 1997, para implantação dos assentamentos foram desviados pelo MST para financiar a luta política do movimento, com a compra de carros de som, organização de ocupações, passeatas e na montagem de uma rádio comunitária pirata. Ele acusa Rosalvo José dos Santos, dirigente estadual do MST, ex- tesoureiro do sindicato, pelos desvios. Afirma que teve sua assinatura forjada em documentos enviados ao Incra para a liberação de recursos. Santos não foi encontrado pela reportagem para comentar as acusações. Outra reclamação seria o fato de as famílias terem de destinar 30% de sua produção para o MST. Polícia - O delegado Silva disse que os trabalhadores supsotamente espancados ainda não compareceram à delegacia para fazer o exame de corpo de delito. Os quatro sindicalistas que se dizem ameaçados de morte foram orientados a fazer uma representação formal assinada por advogado. "Só depois dessas providências posso iniciar o inquérito", disse. Ele antecipou que pretende obter na Justiça mandado de busca e apreensão para entrar no assentamento. "Soubemos que os integrantes do MST estão armados", disse. O delegado já avisou sobre a tensão na área aos batalhões da Polícia Militar das cidades vizinhas.

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