Sindica nega ter mandado matar idosos no Rio
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quinta-feira, 11 de março de 1999
Por Andreia Maia 
Rio, 11 (AE) - Presa na carceragem feminina da Divisão de Capturas da Polinter, a advogada Renata Menezes de Oliveira, de 41 anos, negou hoje chefiar um grupo acusado de matar idosos, dos quais tomava todos os bens, sobretudo imóveis.
Renata é síndica do prédio da Rua Taylor, em Santa Teresa, zona sul do Rio, e foi apontada pelo subsíndico do edifício, Severino Mendes de Oliveira, como a mandante das mortes. O único corpo encontrado pela polícia até agora é o de José Motta de Assis, que tinha 77 anos.
Assis foi espancado e morto e seu corpo levado para o porão do prédio, onde foi escondido num buraco cavado no chão e coberto por lixo e concreto. O subsíndico confessou esse e outros supostos 15 crimes que, segundo ele, foram praticados pela quadrilha chefiada por Renata. Os corpos estariam escondidos em vários imóveis tomados pelo grupo.
Procuradas - A polícia espera autorização do juiz Roberto Guimarães para começar as escavações nos edíficios. E os policiais estão à procura de Rosângela Miranda, de 38 anos, e Márcia Regina Couto da Silva, de 24. Rosângela seria a mulher de Moacir Marques, de 40 anos, e Márcia, companheira do subsíndico Oliveira. Marques e Oliveira estão presos pela morte de Assis.
Em entrevista a advogada defendeu-se das acusações. "As pessoas confiaram em mim", disse, para explicar por que estava de posse de 42 procurações de idosos dando-lhe plenos poderes para negociar seus bens.
AE - Quando a senhora se tornou síndica do prédio da Rua Taylor? Renata Menezes de Oliveira - Em 1991 patrocinei a causa de um condômino, Edinaldo Maciel, que gostou dos meus serviços. Ele então indicou-me para uma outra moradora, Maria do Carmo, que com outros condôminos, estava interessada em interferir na administração do síndico anterior, José Batizaco da Silva. Ele estava administrando o prédio havia mais de oito anos, apesar de ter sido impedido judicialmente por apresentar problemas mentais. AE - Como a senhora conheceu o subsíndico? Renata - Foi na mesma época que defendi o Edinaldo durante uma assembléia para eleição de síndico. José Batizaco queria ser releeito e Severino tentava o cargo, e chamou-me para assessorá-lo. Ele acabou eleito subsíndico. Elegemos um conselho consultivo apoiando Severino e contratando-me para assessorar esse conselho. Além de advogada, sou técnica em contabilidade. Isso durou dois anos. Em 1993, em outra assembléia, apresentei um relatório de irregularidades existentes na administração do José Batizaco, que resultou em intervenção judicial (civil e criminal). Com isso, flui eleita síndica pelo conselho e estou até hoje, mesmo presa. AE - Quantas procurações de proprietários a senhora tem para administrar imóveis no condomínio da Rua Taylor ? Renata - Atualmente administro 42 imóveis nesse edifício. Também cuido de outros imóveis em diversos bairros. Cobro 10% do valor do aluguel para administrá-lo. AE - A senhora teria conseguido essas procurações de maneira escusa? Renata - De jeito nenhum. Isso não é verdade. Costumo agir com rigor na administração e isso leva alguns condôminos a levantar suspeitas injustas. Até inquilino de imóvel que administro tem de andar na linha. Trabalho da seguinte forma: o proprietário me dá a procuração e funciono como intermediária para alugar, reformar ou vender. Já aluguei imóveis que valiam R$ 180,00 por R$ 200,00. Além das 42 procurações, tenho outras 60 de proprietários para representá-los em assembléias. AE - A senhora sabia que Severino tinha matado os sogros? Renata - Não. Só quando virei síndica, em 1993, ele me procurou para contar o caso e defendê-lo. Não atuo na área criminal. Ele parecia uma pessoa tranquila e disse que era inocente. Examinei o processo e não existia nada que comprovasse a denúncia. AE - Como a senhora conheceu o fiscal de rendas assassinado por Severino, que a acusa de ser a mandante? Renata - Não o conhecia muito, pois visitava o apartamento apenas uma vez por mês para apanhar o valor do condômino e abrir o imóvel. Não tinha contato com ele nem com outros moradores. A administração ficava a cargo do meu marido, Nestor Henrique Monteiro Silva, e minha secretária, Karla Bianca de Oliveira Silva. AE - As circunstâncias da morte de Assis a chocaram? Renata - Muito. Em outubro do ano passado, perdi minha mãe com um câncer no estômago e isso me abalou. Assis tinha confiança no Severino e nunca desconfiaria que poderia matá-lo. AE - É verdade que a senhora pedia a relação dos bens e a documentação dos imóveis aos moradores para fazer uma lista? Renata - Essa relação era usada no informativo mensal. AE - Como explicar então a escritura de Assis encontrada pela polícia na casa de Moacir Marques, também acusado de matar o idoso ? Renata - Isso não é verdade. Não sei por que esse documento estava lá. Mas a escritura estava no nome do próprio aposentado. É verdade que foram encontrados carnês de IPTU, espelhos brancos de carteiras de identidade do estado de Minas. Como explicar os objetos de uma casa que não é a sua? AE - A senhora acredita na sua absolvição? Renata - Com certeza. Sou inocente.


