Sinapro quer matar o País de fome
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O polêmico presidente do Sindicato Nacional dos Produtores Rurais (Sinapro), Narciso Rocha Clara, volta em cena com uma proposta bombástica: matar o País de fome. A entidade está distribuindo uma carta-manifesto, orientando os produtores rurais a suspenderem a produção agrícola para forçar o governo federal a apressar a reforma agrária e os governos estaduais a cumprirem os mandados judiciais de reintegração de posse de áreas invadidas por movimentos sociais.
''Sabemos que o País não possui estoque de auto-alimentação e que essa operação vai afetar principalmente os cidadãos comuns'', diz um trecho do manifesto. Rocha Clara estima que em quatro ou cinco dias não haverá alimentos nas prateleiras, caso os produtores atendam ao apelo do sindicato. A estratégia inicial seria a de suspender a entrega dos produtos para entrepostos distribuidores como as centrais de abastecimento (ceasas) de todo o País. Os produtores só manteriam o fornecimento para serviços essenciais hospitais, creches, escolas e atenderiam, também, os contratos de exportação.
O manifesto, lembrou Rocha Clara, está entre as ações da Operação Tolerância Zero, lançada pelo Sinapro em meados de 2003. Na ocasião, segundo ele, havia 384 propriedades ocupadas em 22 estados, 69 delas no Paraná.
Rocha Clara reconhece que a proposta é ousada até porque os agricultores teriam que arcar, momentaneamente, com os prejuízos da não comercialização de seus produtos. ''A classe já está tendo um prejuízo financeiro e moral muito grande e o que nós queremos é dar um basta nisso'', declarou.
O sindicalista, que briga para ter a entidade reconhecida, já tomou frente de outras medidas polêmicas como o pedido de prisão do governador Roberto Requião (PMDB) e de comandantes da Polícia Militar (PM) e o pedido de intervenção federal no Paraná pelo não cumprimento de mandados de reintegração de posse. Em um dos últimos episódios envolvendo Rocha Clara, o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernado Delazari, prometeu prendê-lo caso colocasse os pés no Paraná para uma manifestação no Aeroporto Afonso Pena.


