Sinapro cancela manifestação
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quinta-feira, 17 de julho de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A manifestação anunciada pelo Sindicato Nacional dos Produtores Rurais (Sinapro) para ontem, em Curitiba, não aconteceu. A idéia do Sinapro era reunir ruralistas de todo o Paraná no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. De lá, seguiriam em carreata até o Palácio Iguaçu, onde protestariam contra o não cumprimento dos mandados judiciais de reintegração de posse pelo governo do Estado e contra as invasões promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em todo o País.
Atendendo determinação do secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, no início da noite de quarta-feira, o delegado do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Luiz Carlos de Oliveira, pediu a prisão preventiva do presidente do Sinapro, Narciso da Rocha Clara. Ele chegou a garantir que o mandado havia sido expedido e que o sindicalista seria preso assim que colocasse os pés em Curitiba. À tarde, no entanto, o juiz Marcelo Ferreira, da Central de Inquéritos, negou o pedido de prisão.
Para se resguardar, Rocha Clara entrou, ontem, com pedido de habeas corpus preventivo junto ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Até o início da noite, o presidente do TJ, Oto Sponholz, não tinha analisado o pedido.
O delegado disse que a medida foi tomada com base nas declarações dadas por Rocha Clara à imprensa que sugeriam ''incitação à desordem''. Outro argumento usado no pedido de prisão foi o de que o sindicalista não poderia se ausentar da Comarca de Carapicuíba (interior de São Paulo), onde foi preso no início de junho sob a acusação de falsidade ideológica, falsa identidade e furto. Rocha Clara conseguiu a liberdade provisória mediante pagamento de fiança.
Segundo informações da Secretaria de Segurança, Rocha Clara responde a sete inquéritos criminais e o sindicato que representa não existe oficialmente. A legalidade do Sinapro está sendo investigada pelo Ministério Público Federal, no Rio Grande do Sul. Como resultado de uma ação proposta pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o juiz da 1Vara de Uruguaiana (RS), Guilherme Beltrami, pediu o bloqueio das contas de Rocha Clara, por entender que o sindicato vem atuando de forma irregular. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ainda não validou o pedido de registro feito pelo Sinapro.
A Folha não conseguiu contato com Rocha Clara, ontem. Ele não se encontrava na sede do Sinapro, em São Paulo, e não atendeu nem retornou os recados deixados na caixa postal de seu celular.


