Londrina - A fiscalização para controle de velocidade com radares móveis pode perder o elemento surpresa em Londrina. É isso que deve acontecer se a medida, que obriga o uso de placas de aviso 200 metros antes de radares fixo ou móveis, for colocada em prática. O projeto de lei 09/2012 foi aprovado em primeira discussão e deve voltar para a pauta de votação em agosto, após o recesso da Câmara Municipal.
A iniciativa, no entanto, é polêmica. Não há unaimidade entre os principais interessados: os condutores de veículos. O motociclista e comerciante Alex Cordeiro dos Santos é favorável ao projeto de lei. ''Tem que ter sinalização'', afirmou ele, que confessa que não respeita limites de velocidade em avenidas de Londrina. ''Não tem como andar a menos de 80 km/h na (Avenida) Dez de Dezembro. Ela desafoga o trânsito. Duas ou três vezes já quase me envolvi em acidente porque não vi o radar e precisei frear em cima. Quase bateram na minha traseira'', conta.
Por outro lado a empresária Ana Maria Campos é contrária ao projeto de lei. ''Não resolve (sinalização). A pessoa tem que ter conscientização e respeitar o limite em todo lugar. Se avisar a pessoa vai diminuir a velocidade ali e logo depois já volta a correr'', aponta.
O especialista em trânsito Sérgio Dalbem avalia que o projeto é um ''retrocesso, contrário à própria legislação de trânsito federal. Londrina está protegendo o veículo''. Conforme Dalbem em dezembro de 2011 o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) divulgou a resolução 396 a qual permite que a fiscalização por radar pode ser realizada utilizando apenas as placas que indicam a velocidade permitida na via, ou seja, sem qualquer aviso de radar.
Para defender seu ponto de vista o especialista explica: ''Imagina uma avenida com 5 quilômetros. O motorista tem que respeitar a velocidade nesses cinco quilômetros e sentir que pode ser fiscalizado em todo esse trecho, mas se você avisa com uma placa que a 200 metros vai ter um radar, grande parte dos motoristas respeita apenas nesses 200 metros '', afirmou.
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) usa quatro radares móveis desde abril do ano passado. De acordo com o diretor de trânsito, Wilson de Jesus, a CMTU ainda não tem uma posição sobre a lei, mas, conforme ele, parte da população tem criticado a possível mudança na legislação. ''Recebemos ligações e na própria internet de pessoas contrárias a adotar essa medida. Questionam se beneficia a quem: o certo ou errado? Disseram que é a mesma coisa que avisar que a 100 metros haverá uma blitz'', afirmou.
De acordo com o diretor, o município já avisa em quais avenidas há fiscalização por radar. ''É a Leste-Oeste, Madre Leônia, Dez de dezembro e Arthur Thomas. Não queremos fazer nada escondido, tanto é que divulgamos pelo Twitter onde há fiscalização'', afirmou. Conforme ele, a principal mudança que a lei pode trazer é justamente o aviso com distância estipulada de 200 metros. Se for aprovado na segunda discussão na Câmara, prevista para o dia 2 de agosto, e o projeto for para sanção do prefeito, o diretor afirmou que a CMTU dará seu parecer sobre a lei.

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