Como medir ou descrever uma dor? Seja de cabeça, de dente, da alma, a dor é uma experiência totalmente individual e comparável somente ao que a própria pessoa já sentiu antes. Mas é possível ter compaixão pela dor alheia e é nesse sentido que a medicina avança cada vez mais, de proporcionar conforto para quem sofre com dores. Na última semana, alunos dos cursos de saúde da Universidade Estadual de Londrina (UEL) promoveram um Encontro Interdisciplinar de Dor sobre os vários aspectos do tema, como avaliação, tratamento e cuidados paliativos.
Considerada um sinal vital, a dor é um aviso, do tipo ''não mexe aí'' e o mais primordial dos nossos sentidos, que ensina a nos afastarmos do que é nocivo. A dor pode estar associada a uma lesão real ou potencial, como a dor no coração, que ''avisa'' que pode estar ocorrendo um infarto, por exemplo. ''A dor aguda é útil, um aviso de que há alguma coisa errada, e que a pessoa precisa se cuidar'', avalia o médico anestesista Paulo Herrera, especialista em dor.
Mas é na dor crônica, ela a própria doença, que está o grande desafio, já que nem sempre é possível tratá-la efetivamente. Ao contrário da aguda, na dor crônica o paciente nem sempre mostra no rosto que está sofrendo, ou apresenta sinais como suor frio, taquicardia, e pressão aumentada. ''A crônica é uma dor inútil, que pode doer até sem motivo'', salienta.
Nas dores agudas, aponta o médico, praticamente 100% dos casos tem tratamento farmacológico. Já na dor crônica, a associação de medicamentos com outros tratamentos como fisioterapia e psicoterapia, além de terapias alternativas como homeopatia, acupuntura e florais de Bach, está entre as melhores alternativas. ''E mesmo assim, nem sempre é possível controlar totalmente a dor'', ressalta.
Para a dor de câncer, por exemplo, só há 20 anos, especialistas reunidos em Genebra, na Suíça, em trabalho conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estabeleceram um procedimento padrão de tratamento, que aumentou o consumo de morfina no mundo. ''Utilizando medicamentos a intervalos regulares são tratados de 90 a 95% dos casos de dor em câncer. É preciso vencer o preconceito de que a morfina, por exemplo, só é usada em pacientes terminais'', afirma Herrera.
Uma das promessas para combater a dor crônica, explica o anestesista, são os medicamentos à base de canabinóides, derivados da maconha, e desprovidas da ação disfórica da droga. ''São medicamentos que vão estar no mercado em dois, três anos, e poderão atuar principalmente no caso de dores viscerais crônicas'', ressalta.
Entre as formas não farmacológicas de controlar a dor está a fisioterapia. Mas que os pacientes procuram apenas ''depois de uma peregrinação por vários outros especialistas'' - aponta o fisioterapeuta Fernando Marcucci, de Londrina. Ele explica que a fisioterapia pode ajudar a quebrar o círculo vicioso da dor, que causa ansiedade e contratura muscular, que por sua vez causam mais contração muscular, mais ansiedade e mais dor. Apesar disso, a contração muscular, explica, é um fator de proteção, para estabilizar o local da dor. ''Estudos mostram que desviar a atenção da dor, auxilia no seu controle. A ansiedade pode potencializar a percepção da dor'', explica o fisioterapeuta.

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