Sinais negativos levam pânico à Wall Street Do correspondente PAULO SOTERO
Washington, 15 (AE) - O salto inesperado de 1,1% no Índice de Preços ao Produtor (PPI)em setembro - o maior aumento da inflação no atacado em nove anos - e uma advertência do presidente do Federal Reserve Board (Fed), Alan Greenspan aos bancos, para que reforcem suas reservas e se preparem para a eventualidade de uma uma forte correção no mercado de ações, produziram um mini-pânico hoje (15) em Wall Street.
Alarmados com a possibilidade de uma nova elevação dos juros nos Estados Unidos, os investidores intensificaram a venda de ações na bolsa de Nova York, que está em declínio há semanas. Amplificado pela queda da bolsa, o efeito psicológico do alerta de Greenspan e da súbita alta dos preços no atacado foi tão forte que forçou a Casa Branca a se pronunciar.
O diretor do Conselho Econômico Nacional, Gene Sperling, procurou afastar a possibilidade de que o salto no PPI marque o início do fim da extraordinária expansão da economia americana, que está no oitavo ano e será a mais longa da história do país se durar até fevereiro próximo.
Ele evitou comentar as declarações de Greenspan. Mas disse que espera "crescimento sólido" no terceiro trimestre e reiterou sua confiança nos "fundamentos" da economia americana. Os EUA permanecem "num ambiente de crescimento saudável e baixa inflação", disse Sperling, apesar do sinal de possível ressurgimento da pressão inflacionária detetado nos preços ao atacado.
"Obviamente, a administração acompanhará de perto os número da inflação no futuro", acrescentou ele. Desses números podem depender as chances do Partido Democrata de manter a Casa Branca e realizar sua grande ambição de retomar o controle do Congresso nas eleições de novembro do ano que vem.
Com a bolsa de Nova York em seu ponto mais baixo em seis meses no início da tarde de hoje, o mercado preparou-se para mais um dia de grande nervosismo na segunda-feira, véspera da divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI). Um aumento significativo do CPI reforçará a expectativa de um novo aperto de juros na próxima reunião da Comissão Federal do Mercado Aberto do Fed, no dia 16 de novembro e manterá o mercado sob pressão. Há duas semanas, o banco central confirmou a taxa de juros mas indicou sua disposição de puxá-la para cima ao menor sinal de aumento de preços.
O salto no PPI "é preocupante", disse Chris Rupkey, economista do Bank of Tokyo-Mitsubishi. "Não é um bom sinal e pode levar o Fed a fazer um seguro extra e aumentar os juros no mês que vem".
Diane Swonk, economista chefe do Bank One Corp, lembrou que os preços de algumas commodities estão subindo para afirmar que "há amplas razões para nos preocuparmos com a possibilidade de que as boas notícias sobre inflação já tenham ficado no passado". Mesmo sem os preços mais voláteis de alimentos e combustíveis, o núcleo do PPI aumentou 0,8% em setembro. Nos nove primeiros meses do ano, o índice subiu 3,5%, o que se compara com 1,6% no mesmo período, em 1998.
Outros analistas chamaram atenção para dois dados que tornam mais plausível hoje a possibilidade de ressurgimento da inflação - e a reação prometida pelo Fed - comparado com os último dois anos, um período em que o ambiente econômico internacional e a valorização do dólar operaram em benefício da estabilidade de preços nos EUA. O primeiro é que as economistas da Europa, do Japão e da ásia voltaram a crescer. O outro é a desvalorização da moeda americana em relação ao iene.





