Uma sonda da Nasa, agência espacial norte-americana, revelou pequenos desfiladeiros e gargantas sobre a superfície de Marte, aparentemente escavadas há não muito tempo por água corrente proveniente de capas talvez ainda existentes.
Sobre os buracos e crateras formados pelo impacto de grandes asteróides, anunciaram ontem em Washington especialistas da Nasa, a sonda Mars Global Surveyor mostrou canais de escoamento e gargantas similares às escavadas na Terra por ‘‘infiltrações e fluidos de superfície’’.
Essas formações não mostram sinais de erosão de outros agentes atmosféricos e estão nítidas ao ponto de se pensar que remontam a poucos milhões de anos ou até mesmo milhares.
A hipótese da existência de água em Marte foi sendo confirmada nos últimos anos com estudos da Nasa que indicam calotas de gelo, nuvens esparsas na delgada atmosfera do planeta e vestígios de oceanos e lagos que podem ter existado há milhões de anos.
A atmosfera é tão delgada que, se houvesse água na superfície, ela evaporaria. Se as gargantas e os canais isolados agora são verdadeiramente recentes, segundo Ken Edgett e Michael Malin, ‘‘poderia ainda existir água no solo do planeta’’, talvez a poucos metros da superfície.
Essas formações parecem ter sido provocadas pela água, que, infiltrando-se pelas rochas, depois de acumular determinada pressão, irrompe.
Utilizando os parâmetros terrestres sobre uma determinada cratera marciana que apresenta os desfiladeiros e gargantas em questão, Edgett e Malin calcularam a quantidade de água que poderia ainda existir apenas nesta região: 250 milhões de litros. Quantidade suficiente para manter com vida uma colônia humana de 100 pessoas durante 20 anos, sem contar a reciclagem do líquido consumido.

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