São Paulo, 14 (AE) - O consumidor que financiar R$ 10 mil para a compra de um carro novo, por um prazo de 24 meses, a uma taxa de juros de 3% ao mês, estará economizando a partir de amanhã, R$ 394,52 em dois anos só por conta da queda do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% para 1,5% ao ano.
"Com esse dinheiro, dá para comprar um televisor de 20 polegadas, com controle remoto", ressalta o professor de matemática financeira, José Dutra Sobrinho. O especialista, que fez simulações para avaliar o impacto da queda do IOF nos financiamentos, considera a redução significativa quanto menor for a taxa de juros cobrada do consumidor.
No exemplo acima citado, a prestação mensal caiu de R$ 621,15 para R$ 597,86. A taxa efetiva do empréstimo, que era de 3,48% ao mês ou 50,78% ao ano com imposto antigo recuou para 3 12% ao mês ou 44,58% ao ano, com o novo IOF.
Já no caso de empréstimo pessoal de R$ 1 mil, com juros de 5% ao mês pelo prazo de um ano, o consumidor economiza apenas R$ 27,76 com o corte no imposto. A prestação, que, com o IOF antigo, era de R$ 116,96, recuou agora para R$ 113,83. A taxa efetiva de 5,64% ao mês ou 93,17% ao ano caiu para 5,16% ao mês ou 82,89% ao ano.
O efeito menor do corte no imposto será mais evidente quanto maior for a taxa de juros. Esse impacto, segundo Dutra, fica mais claro quando se avalia o reflexo da redução do IOF no cheque especial. O cliente que ficar no cheque especial por 30 dias, com uma dívida de R$ 1 mil, com juros correndo na casa de 10% ao mês, deve desembolsar R$ 3,75 a menos com a mudança no imposto. Com IOF de 6% ao ano, esse cliente teria de gastar R$ 100 de juros e R$ 5 com o imposto. Com a nova alíquota, gastos com juros são mantidos e a despesa com imposto cai para R$ 1,25 no primeiro mês.
"O que o governo precisa fazer agora é motivar a redução dos juros", diz o especialista, ponderando que essa seria a intenção das autoridades monetárias ao reduzir os compulsórios de 10% para zero nos depósitos a prazo, injetando mais recursos no mercado. Competição - Com a queda do IOF, o governo abriu mão de 75% da arrecadação e agora seria a vez de os bancos mexerem nas taxas, enfatiza Dutra, argumentando que o governo já teria feito a sua parte. Ele explica que o banco é neutro no caso do IOF porque paga o imposto à vista.
Na avaliação do professor, o que deverá forçar a queda nos encargos financeiros dos empréstimos é a concorrência do mercado e, no caso do cheque especial e do cartão de crédito, não há um disputa acirrada, na sua opinião. "A gente nunca vê um cliente mudar de banco ou de administradora por causa dos juros do cheque especial ou do cartão de crédito."
A sociedade, afirma Dutra, tem de pressionar as instituições financeiras para que as taxas de juros caiam para o consumidor.

mockup