A melhoria ainda não dá para ser comemorada, mas a construção civil investiu na prevenção e hoje não é mais a recordista em acidentes de trabalho no país. A queda do primeiro para o quinto lugar no ranking de acidentes aconteceu, segundo a regional de Londrina do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-Norte), graças à realização de eventos como o promovido ontem pela Construtora Plaenge. Na XXV edição da Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat), os mais de 250 funcionários acompanharam, entre outras atividades, uma situação simulada de queda em um poço e a operação de resgate.
Trabalhador da construção civil há quatro anos, o funcionário Valdecir Pereira Mota, 35 anos, e nunca sofreu um acidente grave durante o serviço. Ele apontou que as simulações mostram ao funcionários os riscos escondidos em situações simples. ''Às vezes a gente está na obra e não se dá conta de que quando sai pode cair alguma coisa na cabeça. Por isso, aqui todo munda usa os equipamentos de segurança e quando um vê que o outro não está usando chega perto e cobra mesmo'', afirmou. O pintor Rafael Oliveira, 22 anos, elogiou que a Sipat ''é importante porque ajuda a prevenir dos riscos e fixar o que é preciso''.
E esse é mesmo o objetivo das campanhas de prevenção, destacou o gerente de engenharia da Plaenge, Rogério Cardoso. Ele lembrou que desde sua fundação, a construtora realiza a Sipat, pois encara isso como investimento, já que de cada R$ 1,00 investido em segurança e saúde, a empresa pode ter até R$ 4,00 de retorno. O reflexo disso é no canteiro de obras. Cardoso exemplificou que na obra onde foi feita a simulação não houve nenhum registro de acidente grave em 16 meses de trabalho. Além da prevenção, a empresa também levou outros serviços para seus funcionários. Eles puderam fazer exames de glicemia, verificar a pressão arterial, cortar os cabelos e assistir um teatro de fantoches e um ''desfile'', onde o que ficou na moda foram os equipamentos de proteção individual.
Segundo a assessoria da Plaenge, citando dados do Ministério da Previdência Social, a construção civil é hoje o quinto no ranking de acidentes de trabalho, que é liderado pelo segmento da saúde. Situação bem diferente de cinco anos atrás, quando o setor puxava essa fila. No mundo, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), entre 1,9 e 2,3 milhões de pessoas perdem suas vidas enquanto trabalham. No Brasil, mais de 390 mil trabalhadores se acidentaram apenas em 2003.
A melhoria no ranking, entretanto, segundo o presidente do Sinduscon-Norte, Junker de Assis Grassiotto, não pode ser comemorada. ''Faz pelo menos 35 anos que a construção civil, só em Londrina, se preocupa com a segurança. Se olharmos por esse aspecto, vamos perceber que os frutos demoraram até muito tempo para serem colhidos'', afirmou. De acordo com ele, os acidentes de trabalho no setor ainda persistem, principalmente por causa da informalidade. De acordo com ele, dois em cada três trabalhadores não têm carteira assinada. ''Na construção civil, temos empresas como a Plaenge mas também temos os gatos, onde tem trabalhadores usado chinelos. O trabalhador não pode ser culpado por isso'', concluiu.

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