Simplicidade caracteriza Almunia Do enviado especial Reali Júnior
Simplicidade caracteriza Almunia Do enviado especial Reali Júnior11/Mar, 15:05 Madri, 11 (AE) - Joaquín Almunia, de 51 anos, militante socialista há mais de 30, basco nascido de uma família burguesa de Bilbao, é antes de tudo um homem simples, sem o carisma de seu antecessor, o ex-primeiro-ministro Felipe González, cujo fantasma o acompanha até hoje. Calvo e com uma barba mal aparada, comparada à de Sean Connery o candidato do PSOE não chega a ser um sedutor e também não passa a imagem autoritária atribuída a seu principal adversário, o primeiro-ministro José María Aznar. Nada a ver com um político-modelo, como o atlético Bill Clinton ou mesmo o carateca Vladimir Putin. Ele sabe de tudo isso e não aceita mudar. "Sinto-me bem assim e não pretendo vender nada além do que sou." Ele transmite a imagem de um bom chefe de família, casado com a mesma mulher desde 1978, a feminista Milagros Candela, com dois filhos. Seus amigos o definem como um homem corajoso e, principalmente, honesto - qualidade que lhe permitiu atravessar a crise provocada pelos escândalos financeiros que alcançaram algumas das principais personalidades do PSOE no passado e possibilitaram, em 1996, a vitória de Aznar sobre o carismático González. Almunia foi aluno de um colégio elitista de Indautxu e da Universidade de Deusto, onde se formou em direito e economia. Aos 16 anos adotou como nova bíblia O Capital, de Karl Marx, admitindo ter-se transformado nesse período num esquerdista. Como na Espanha a doença do ditador Franco arrastava-se, Almunia decidiu inscrever-se na Escola de Altos Estudos de Paris depois de ter passado um período lavando pratos em Londres. Seu encontro com González, na época Isidoro, ocorreu em 1974, em Frankfurt, quando optou pelo PSOE e não pela central sindical União Geral dos Trabalhadores, onde militava. A partir daí, sua fidelidade a González foi total. Ele foi o responsável pelo programa do PSOE que possibilitou sua triunfal vitória em 1982. Sempre na sombra de González, foi aproveitado pelo antigo chefe do governo como ministro do Trabalho e, mais tarde, ministro da Administração. Em 1991, quando o vice-presidente do governo, Afonso Guerra, foi obrigado a renunciar, atingido pelas denúncias que iriam respingar dois anos depois no próprio González, o poder de Almunia aumentou. Quando as coisas se precipitaram e González deixou a direção do PSOE, Almunia assumiu um partido gasto pelo poder. Nesses três anos, esse social-democrata à espanhola conseguiu refazer uma parte do caminho de volta dos socialistas ao poder, aliando-se aos comunistas da Esquerda Unida, o que lhe permite encerrar a campanha eleitoral com uma certa esperança de vitória.





