Simpatizantes de Chávez saem às ruas em apoio à Constituinte
Caracas, 02 (AE-AP) - Cerca de 5 mil pessoas marcharam hoje (02) pelo centro de Caracas em apoio ao presidente Hugo Chávez e à governista Assembléia Nacional Constituinte (ANC) - que retirou segunda-feira praticamente todos os poderes do Congresso - e contra o que chamaram de "ditadura sindical".
Em resposta, o presidente da Constituinte, Luis Miquilena, prometeu instaurar uma "democracia sindical", mas procurou reduzir a tensão com o Congresso, garantindo que pode ser selado em breve um "acordo de convivência" entre as duas instituições legislativas.
"A Assembléia Constituinte está levantando a bandeira da democracia sindical e esta será imposta pela vontade de nosso povo e nossos trabalhadores", afirmou Miquilena, mentor político de Chávez. Depois de denunciar a "máfia sindical que se apropriou dos sindicatos", Miquilena também se comprometeu a "iniciar uma democracia pela via do entendimento, se possível".
"Nosso país está vivendo sua hora estelar, estamos levando adiante uma revolução pacífica e essa revolução descansa fundamentalmente nos ombros dos trabalhadores", afirmou o presidente da Constituinte.
Ele previu para breve um acordo com o Congresso, sem dizer, porém, que tipo de acerto poderá ser feito, nem em que pontos a ANC poderá ceder. "Não se trata de ceder, mas de buscar caminhos que conduzam a soluções", afirmou. "É claro que, quando há diálogo são vislumbradas algumas possibilidades de acordo, é porque as partes estão dispostas a ceder de lado a lado para conseguir um entendimento."
Miquilena assinalou que é necessário que o acordo inclua os partidos de oposição Ação Democrática e Projeto Venezuela. "Se ficar alguém de fora, os problemas continuarão."
Embora esteja sendo negociado um acordo, a oposição não deu sinais de que possa desistir do recurso enviado à Corte Suprema para que esta se pronuncie sobre a legalidade ou não das medidas que têm sido adotadas pela Constituinte. "Vamos encher a Corte Suprema de recursos para ver se, com 50 ou 60 queixas, eles vão congelar a discussão da questão", afirmou a líder legislativa do projeto Venezuela, Mireya Rodríguez.
Depois de baixar a chamada "emergência legislativa", a ANC - que espera completar o esboço de uma nova Constituição em três meses - prepara agora um decreto de "emergência executiva" para avaliar os funcionários públicos. Miquilena garantiu que a Constituinte será cuidadosa na aplicação dessa medida, para que não seja interpretada como "caça às bruxas".





